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Só 3 em cada 10 idosos vacinados: Salvador corre contra o tempo antes do inverno e do São João

Com festas juninas e meses frios batendo à porta, Salvador registra apenas 33% de cobertura vacinal contra gripe entre maiores de 60 anos, apesar de vacinação gratuita e busca ativa.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Saúde
29 de maio, 2026 · 05:36 3 min de leitura
Portal ChicoSabeTudo
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Com o inverno chegando, o São João animando as ruas e a circulação de vírus respiratórios aumentando, Salvador enfrenta um número que preocupa as autoridades de saúde: apenas um em cada três idosos da cidade já tomou a vacina contra a gripe. A vacinação e o risco estão lado a lado — e, por enquanto, o risco está ganhando.

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De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), 457 mil pessoas acima de 60 anos estão aptas a tomar o imunizante na capital baiana, mas apenas 151.747 vacinas foram aplicadas até o momento. Esse número equivale a pouco mais de 33% dos idosos habilitados. A meta do poder público é alcançar cobertura muito superior, mas o caminho ainda é longo.

A vacinação contra a gripe teve início no dia 25 de março em Salvador. A campanha foi antecipada como estratégia para proteger a população antes do período de maior circulação do vírus influenza, comum nos meses mais frios do ano. Mesmo assim, a procura pelos postos de saúde ficou muito abaixo do esperado.

Para ampliar o alcance da campanha, a prefeitura foi além das unidades de saúde convencionais. As equipes de vacinação também realizam ações extramuros, com a imunização de idosos em Instituições de Longa Permanência (ILPIs), além da vacinação domiciliar para pessoas idosas acamadas ou com dificuldade de locomoção. A vacinação também está disponível em pontos de grande circulação, como o Salvador Shopping, que conta com um Centro de Vacinação funcionando de domingo a domingo, com horário estendido.

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Os dados nacionais mostram que a baixa adesão não é exclusividade de Salvador. O Sistema de Vigilância Epidemiológica da Gripe (SIVEP-Gripe) apontou que o número de mortes por Síndrome Respiratória Aguda Grave causada pela influenza, em 2024, aumentou 157% entre os hospitalizados. A taxa de letalidade chegou a 21,7%, o que significa um óbito a cada cinco idosos hospitalizados.

A hesitação vacinal tem raízes conhecidas. A importância dos profissionais da saúde no combate às notícias falsas sobre a vacinação é destacada por especialistas, que apontam a necessidade de recuperar a alta cobertura vacinal observada no país até 2020, evitando casos graves e óbitos preveníveis. Pesquisas indicam ainda que os principais motivos para a não-adesão à vacina contra gripe incluem não considerar a vacina necessária (46,5%) e a crença de que ela provoca reação (36,7%).

Do lado oposto da hesitação, há quem já entendeu a mensagem. Como resume uma idosa soteropolitana: "O que derruba o idoso não é a vacinação. O que derruba o idoso é a falta de atenção, a falta de carinho, a falta de respeito, o isolamento e não se sentir pertencido. A vacina é a segurança que a gente tem."

A vacina contra a gripe é segura, eficaz e atualizada anualmente para combater as cepas mais prevalentes do vírus, como os subtipos da Influenza A (H1N1 e H3N2) e B. Ela precisa de aproximadamente 15 dias para induzir resposta imunológica, o que torna o momento atual decisivo para garantir proteção antes das festas e do pico do frio. A vacina é gratuita em todos os pontos de imunização.

A literatura científica mostra que 89% dos casos de SRAG por influenza ocorrem em não vacinados, e a vacinação pode reduzir em até 85% o risco de óbitos por SRAG. Os números estão postos. O posto de saúde está aberto. A escolha, como sempre, é de cada um.

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