Um homem foi a público denunciar o que considera uma falha grave no atendimento à sua mãe, de 77 anos, na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Paripe, no Subúrbio Ferroviário de Salvador. Segundo Jackson dos Santos Araújo, Joana dos Santos Araújo procurou a unidade nos dias 5 e 6 de julho, foi liberada nas duas ocasiões com diagnóstico de problema gástrico e morreu horas depois. O relato foi feito durante entrevista ao programa Giro Baiana, da Baiana FM e da BNews TV, nesta quarta-feira (15).
De acordo com Jackson, na primeira visita à UPA, no dia 5 de julho, a mãe se queixava de dores no estômago, nas costas e de uma sensação de volume subindo pela garganta. Segundo ele, a própria idosa chegou a perguntar ao médico se poderia estar sofrendo um infarto. A resposta, conforme o relato do filho, foi negativa. Foram prescritos medicamentos e ela recebeu alta.
No dia seguinte, os sintomas voltaram com mais intensidade. Jackson afirmou que a mãe ficou na unidade desde as 9h30 da manhã até perto das 17h. Segundo ele, a médica que a atendeu nessa segunda visita concluiu que a paciente estava com excesso de gases e a orientou a buscar um gastroenterologista. Joana recebeu alta novamente.
Ao chegar em casa, a idosa apresentou piora rápida. Jackson contou que ela se queixou de fraqueza no corpo e de não sentir mais as pernas. A família a levou primeiro ao Hospital do Subúrbio e depois à UPA de Valéria. "Chegando lá, ela já chegou com poucos sinais vitais e veio a óbito", relatou o filho, segundo informações divulgadas pelo BNews.
O caso chama atenção porque os sintomas descritos — dor nas costas, sensação de pressão subindo pela garganta, fraqueza — são compatíveis com o quadro de infarto em mulheres idosas. Especialistas alertam que o infarto pode ocorrer em mulheres sem dor forte no peito, o que atrasa o atendimento de emergência. A doença pode irradiar dor para costas, mandíbula ou braços, além de provocar sintomas gastrointestinais, dificultando o diagnóstico.
Não é o primeiro caso desse tipo relatado no país. Em Araguaína (TO), uma situação semelhante veio à tona: uma paciente buscou atendimento em UPA com sintomas clássicos de infarto — dor no braço esquerdo, palpitações no peito, falta de ar e cansaço — e teve o quadro ignorado por dois dias seguidos. Poucas horas depois de ser liberada novamente, a paciente sofreu um infarto em casa.
A UPA de Paripe presta atendimento mensal a pouco mais de nove mil pacientes e é administrada pelo Instituto de Gestão e Humanização (IGH). A unidade do porte tipo III conta com 25 leitos em sala vermelha e observação adulto e pediátrico, além de seis consultórios médicos, laboratório e espaços para realização de exames de raio-X e eletrocardiograma.
Jackson afirmou que decidiu expor o caso para evitar que outras famílias vivam o mesmo drama. A reportagem do BNews questionou a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) de Salvador sobre a denúncia, mas não obteve resposta até o momento da publicação. A SMS é responsável pela regulação e fiscalização da unidade, ainda que a gestão operacional seja feita pelo IGH.







