Uma idosa afirmou que saiu da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Paripe, no Subúrbio Ferroviário de Salvador, sem receber diagnóstico de AVC — mesmo depois de chegar à unidade com sintomas clássicos do problema. O relato de Ana Cláudia Moura foi dado em entrevista ao programa Giro Baiana, transmitido pela Baiana FM e pela BNews TV, na última quarta-feira (15).
Segundo a paciente, ela procurou atendimento na UPA de Paripe em janeiro deste ano, no dia 22, após apresentar fala embolada e dormência no lado esquerdo do corpo. São exatamente esses os sinais que protocolos médicos associam ao AVC — condição em que o tempo de atendimento é determinante para sobrevivência e sequelas.
Ana Cláudia relatou que a médica que a atendeu informou que os sintomas não configuravam um caso de AVC e sugeriu que ela buscasse outra unidade de saúde. "A médica perguntou se eu tinha como ir para outro hospital, porque eles aqui não tava dando como se fosse AVC", contou a idosa na entrevista.
Por conta própria, a paciente se dirigiu ao Hospital do Subúrbio, onde o diagnóstico de AVC foi confirmado e ela recebeu medicação de imediato. "Chegou lá, deu AVC. Tomei 26 comprimidos imediatamente", lembrou.
Ao refletir sobre o que poderia ter acontecido caso tivesse permanecido na UPA ou não buscado atendimento em outro lugar, Ana Cláudia foi direta: "Se eu estou viva hoje aqui, foi, graças a Deus, o Hospital do Subúrbio que me atendeu. Eu poderia estar morta hoje, mas graças a Deus estou viva".
A paciente também estendeu a crítica ao atendimento de saúde na região como um todo, afirmando que casos semelhantes são frequentes no Subúrbio Ferroviário. "Isso é um descaso. Como fui eu, tem muitos casos aqui acontecendo", disse, citando ainda a morte da mãe de um vizinho que ela atribui a negligência médica.
A denúncia de Ana Cláudia não é o primeiro relato de falha no atendimento envolvendo a UPA de Paripe. Mais um caso de falha no atendimento em UPAs de Salvador havia vindo à tona em março de 2025, quando um vídeo nas redes sociais mostrou um homem indignado ao ver a amiga passar mal sem receber suporte da equipe médica na mesma unidade do Subúrbio Ferroviário.
Vale lembrar que as UPAs 24h são estabelecimentos de saúde voltados para o atendimento a urgências e emergências de baixa e média complexidade, incluindo expressamente o Acidente Vascular Cerebral. Ou seja, o AVC está entre as condições que a unidade deveria ser capaz de identificar e estabilizar.
A reportagem do portal BNews questionou a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) sobre o caso e aguarda posicionamento. Segundo informações divulgadas pela fonte, a UPA de Paripe é administrada pelo IGH (Instituto de Gestão e Humanização), organização social responsável pela gestão administrativa, operacional e médica da unidade, sob regulação e fiscalização da SMS.







