O Laboratório Sismológico da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (LabSis/UFRN) registrou dois novos tremores de terra no município de Craíbas, no Agreste de Alagoas, na tarde de quarta-feira (10). Os abalos ocorreram com apenas um minuto de intervalo entre si e, até o momento, nenhum morador relatou ter sentido os impactos nem foram identificados danos estruturais na região.
Segundo informações divulgadas pelo LabSis/UFRN, o primeiro tremor foi detectado às 12h00 (horário de Brasília), com magnitude preliminar de 1.7 mR. Um minuto depois, às 12h01, as estações sismográficas captaram o segundo evento no mesmo local, desta vez com magnitude de 1.5 mR. Os parâmetros são preliminares e podem ser revisados em boletins posteriores.
O horário dos registros não é detalhe menor. Todos os tremores anteriores em Craíbas também foram registrados por volta do meio-dia, horário em que geralmente ocorrem detonações controladas realizadas pela atividade de mineração no município. Esse fator levanta a possibilidade de relação entre os registros sísmicos e as atividades de desmonte de rocha, algo que costuma ser monitorado por redes sismológicas para diferenciar eventos naturais de vibrações induzidas por atividades humanas.
A região vive um cenário de alerta crescente. Desde o ano de 2021, moradores reclamam das fortes explosões, tremores de terra e rachaduras em dezenas de casas. Desde aquele ano, a mineradora realiza extração de cobre, ferro e ouro no povoado Serrote da Laje e em outras áreas rurais do município. Em notas oficiais, a Mineradora Vale Verde nega qualquer relação entre suas operações e os abalos registrados na região, afirmando que mantém monitoramento ambiental contínuo e segue a legislação brasileira.
A situação chegou à Justiça. A Justiça de Alagoas determinou uma série de medidas de controle sobre a atividade mineradora em Craíbas após relatos de tremores e danos estruturais em imóveis. A decisão, em caráter liminar, atende a uma ação civil pública ajuizada pela Defensoria Pública do Estado de Alagoas, que aponta possíveis impactos da exploração mineral em áreas habitadas e falhas no monitoramento realizado.
Para dar conta desse cenário, o monitoramento científico foi reforçado nos últimos meses. Em apenas um ano, duas estações sismológicas foram instaladas nas cidades de Arapiraca e Craíbas, ampliando de um para três o número de equipamentos para monitorar os tremores de terra na região. A nova estação em Craíbas foi implantada a cerca de dois quilômetros da Mineração Vale Verde (MVV), com o objetivo de monitorar continuamente as vibrações do solo e registrar eventos sísmicos naturais e induzidos por atividades antrópicas.
O contexto não é exclusivo de Craíbas. É consenso entre sismólogos que o Nordeste é a região de maior atividade sísmica do Brasil. Comparados com os terremotos que ocorrem na borda oeste da placa Sul-americana, os abalos sísmicos do Nordeste são muito menos intensos, pois não há, como no Chile, uma placa mergulhando por baixo da outra. Ainda assim, a frequência dos registros na região do Agreste alagoano chama atenção de pesquisadores.
O LabSis/UFRN informou que mantém monitoramento contínuo de atividades sísmicas em todo o estado de Alagoas e no Nordeste, incluindo eventos associados à ação humana, como detonações em pedreiras. A instituição ressaltou que os dados dos dois tremores desta quarta-feira são preliminares e poderão ser atualizados em novos boletins.







