Um produtor rural da Bahia foi vítima de um golpe que lhe custou cerca de R$ 350 mil. Ele vendeu aproximadamente cinco caminhões de manga das variedades Palmer e Tommy para um grupo de estelionatários sem jamais receber o pagamento. A denúncia motivou uma investigação que culminou, nesta terça-feira (22), no cumprimento de quatro mandados de busca e apreensão em duas cidades do Noroeste Fluminense, no Rio de Janeiro.
As diligências foram realizadas em endereços nos municípios de Santo Antônio de Pádua e Itaocara, segundo informações divulgadas pela Polícia Civil do Rio de Janeiro. Os alvos são suspeitos de envolvimento nos crimes de estelionato e crime tributário.
A investigação está sob responsabilidade do delegado José Paulo Pires, da 136ª Delegacia de Polícia. Segundo a polícia, as apurações tiveram início no fim de abril, quando o produtor baiano procurou a unidade para relatar o esquema fraudulento e registrar o prejuízo sofrido.
O caso se enquadra em uma modalidade de golpe que vem crescendo no agronegócio brasileiro. Grupos criminosos simulam interesse legítimo na compra de grandes volumes de produtos agrícolas, recebem as mercadorias e somem sem efetuar o pagamento. O produtor rural fica com o prejuízo da carga entregue e ainda enfrenta dificuldades para acionar a Justiça quando os golpistas estão em outro estado.
Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025 apontam que o estado do Rio de Janeiro registra cerca de 83 mil ocorrências de estelionato por ano — o equivalente a mais de nove golpes por hora —, com crescimento de 317% desde 2018, segundo levantamento do Monitor Mercantil. Fraudes envolvendo transações comerciais no campo fazem parte desse universo.
A manga é uma das frutas mais exportadas do Brasil, e o Vale do São Francisco — que abrange municípios do norte da Bahia e do sul de Pernambuco — concentra grande parte da produção nacional. A região é referência nas variedades Palmer e Tommy, exatamente as que o produtor baiano tentou comercializar com os suspeitos agora investigados.
Segundo informações divulgadas pela Polícia Civil, os mandados de busca e apreensão foram cumpridos para reforçar as provas contra os investigados. As autoridades não divulgaram se houve prisões durante as diligências. As investigações seguem em andamento.







