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Cetas devolve 164 animais silvestres à Mata Atlântica em Alagoas após reabilitação contra tráfico

Aves como papa-capim, canário e sanhaço, além de um bicho-preguiça, foram reintegrados à natureza em áreas selecionadas por critérios técnicos de sobrevivência.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Serviço
11 de junho, 2026 · 13:15 2 min de leitura
Animais silvestres sendo soltos em área de Mata Atlântica em Alagoas pelo Cetas
Animais silvestres sendo soltos em área de Mata Atlântica em Alagoas pelo Cetas

Uma operação de reintegração faunística realizada pelo Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) de Alagoas devolveu 164 animais silvestres à Mata Atlântica na manhã desta quarta-feira (11). A ação, conduzida pelo Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA/AL) em parceria com o Ibama, reuniu diversas espécies de aves e um bicho-preguiça que passaram por avaliação clínica e processo de reabilitação antes de retornar ao habitat natural.

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Entre as aves liberadas estavam passeriformes comuns nas apreensões por criação irregular: papa-capim, sanhaço-cinzento, sanhaço-do-coqueiro, sibite, guriatã e canários. O papa-capim-baiano e o sibite figuram entre as espécies mais recorrentes nos atendimentos do Cetas em Alagoas. Além das aves, um bicho-preguiça resgatado pela equipe também foi reintegrado à natureza.

Segundo informações divulgadas pelo Cetas, os passeriformes ficaram cerca de um mês sob cuidados especializados antes de serem considerados aptos para a soltura. Já o bicho-preguiça, que chegou em bom estado de saúde, permaneceu apenas dois dias na unidade.

A escolha dos locais de soltura segue critérios técnicos rigorosos. De acordo com a veterinária e bióloga do IMA no Cetas, Ana Cecília Pires, é preciso identificar os habitats de cada área para definir quais espécies podem ser soltas em cada região. Disponibilidade de água, alimento e abrigo são fatores determinantes nessa avaliação. Espécies de interior de mata foram direcionadas a áreas diferentes daquelas com hábitos de espaços abertos, aumentando as chances de sobrevivência de cada grupo.

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Após avaliação física, clínica e comportamental, os animais são marcados com anilha ou microchip para futuro monitoramento. Os animais considerados inaptos para a soltura são destinados a empreendimentos de fauna autorizados; os aptos são encaminhados a áreas previamente cadastradas.

Grande parte dos animais atendidos pelo Cetas chega à unidade como vítima do tráfico de fauna ou da criação ilegal em cativeiro. As aves representam mais de 80% dos animais traficados no Brasil. A Lei 9.605/98 regulamenta as sanções penais e administrativas para atividades lesivas ao meio ambiente, e o crime de tráfico de animais silvestres está previsto no artigo 29 da lei. As multas são aplicadas por animal e podem chegar a R$ 5 mil por indivíduo no caso de espécies ameaçadas de extinção, segundo informações divulgadas pelo Cetas.

A Câmara dos Deputados aprovou recentemente projeto de lei que pune com reclusão de dois a cinco anos e multa quem praticar tráfico de animais silvestres. O texto segue para análise do Senado. A proposta representa um endurecimento em relação à legislação atual, que prevê pena de detenção de seis meses a um ano.

Todos os animais chegam ao Cetas por meio de resgate ou entrega voluntária. Os técnicos ressaltam que qualquer pessoa pode fazer a entrega de animais silvestres à unidade sem que sejam aplicadas as sanções previstas em lei. Quem encontrar animais silvestres feridos, em situação de tráfico ou em condições inadequadas deve acionar o Batalhão de Polícia Ambiental (BPA) pelo telefone 181 ou pelo WhatsApp (82) 98833-5879.

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