Uma jovem formada em Direito que estava presa há mais de três semanas em Goiás deixou a Penitenciária Feminina de Aparecida de Goiânia após a defesa alegar que ela foi detida por engano — vítima de uma confusão de nomes durante investigação policial.
Identificada como Ellen Lorraine Trindade Mateus, a jovem foi presa no início de julho de 2026 durante a segunda fase da Operação Boleto Fantasma, conduzida pela Polícia Civil do Amapá. A operação mira uma organização criminosa suspeita de criar um site falso de uma companhia de energia elétrica do estado para aplicar golpes em mais de 300 pessoas entre 2024 e 2025.
Segundo a defesa, as autoridades do Amapá teriam confundido o nome de Ellen com o de outra mulher, chamada apenas de "Lorraine", que seria de fato integrante da organização criminosa investigada. A ordem de prisão foi expedida pelo Judiciário do Amapá com base nas conclusões da Polícia Civil local.
A jovem foi detida por volta das 5h do dia 2 de julho, na casa onde mora com os pais, em Trindade, na região metropolitana de Goiânia. Ela é filha de um coronel da reserva da Polícia Militar de Goiás (PMGO). O advogado de defesa chegou a entregar voluntariamente o celular de Ellen — com senhas bancárias e conversas de WhatsApp — à autoridade policial do Amapá para facilitar a apuração, mas afirmou que ficou mais de uma semana sem resposta.
A defesa recorreu por meio de habeas corpus e pedido de relaxamento de prisão. Com a concessão do habeas corpus pela Justiça, Ellen foi colocada em liberdade. O delegado responsável pelo caso no Amapá, Breno da Costa Esteves, confirmou que a prisão ocorreu no contexto da Operação Boleto Fantasma, mas não prestou esclarecimentos adicionais sobre a possibilidade de erro de identidade.
A Operação Boleto Fantasma teve sua primeira fase em março deste ano, quando um suspeito foi preso. A segunda fase ampliou o alcance das investigações, que ocorrem desde 2025 após centenas de vítimas denunciarem as fraudes.
O caso expõe um risco real em operações policiais de grande porte: a semelhança de nomes pode resultar em prisões equivocadas, com consequências sérias para pessoas sem envolvimento nos crimes investigados. Enquanto a Justiça avalia os próximos passos, a defesa de Ellen afirma que ela é inocente e que seguirá colaborando com as autoridades para provar isso.







