Última hora
PMPA - 5736
Serviço

Biólogo aponta bijupirá como provável "tubarão" filmado em Maragogi e explica por que AL não tem histórico de ataques

Especialista avaliou imagens do animal que assustou banhistas no litoral norte alagoano e destacou diferenças entre o peixe ósseo e os tubarões, enquanto Pernambuco ainda repercute dois ataques graves.

Redação ChicoSabeTudo
12 de junho, 2026 · 12:34 3 min de leitura
Mar de Maragogi com águas cristalinas e barcos ao fundo, no litoral norte de Alagoas
Mar de Maragogi com águas cristalinas e barcos ao fundo, no litoral norte de Alagoas

Um vídeo que circulou nas redes sociais nesta sexta-feira (12) mostrou um animal de coloração cinza se aproximando de um barco no mar de Maragogi, no Litoral Norte de Alagoas. A cena gerou alarme entre banhistas, mas especialistas foram rápidos em colocar um freio no pânico.

Publicidade

Em entrevista ao programa Fique Alerta, da TV Pajuçara, o biólogo Nilson Queiroz avaliou as imagens e concluiu que há grande probabilidade de o bicho ser um bijupirá — e não um tubarão. O peixe, também chamado de Rachycentron canadum, é ósseo, tem espinhas e apresenta formato muito parecido com o dos tubarões quando visto de fora da água.

Segundo o biólogo, dois detalhes nas imagens reforçam essa leitura: a presença de apenas uma barbatana dorsal visível — enquanto o tubarão-lixa, por exemplo, exibe duas — e o formato da cauda, que se assemelha muito ao do bijupirá. Ele ressaltou que, apesar da aparência semelhante, as espécies são biologicamente distintas: tubarões e arraias são cartilaginosos e não têm espinhas, ao contrário dos peixes ósseos como o bijupirá. A confusão entre as duas espécies, segundo ele, é bastante comum.

As imagens ganharam repercussão num momento especialmente delicado. Cerca de dez dias antes, duas pessoas foram vítimas de ataques de tubarão no Grande Recife, em Pernambuco. Uma criança de 11 anos e uma jovem de 19 anos tiveram membros amputados devido à gravidade das lesões sofridas. De acordo com o Cemit, este foi o 84º incidente com tubarões registrado desde 1992 em Pernambuco.

Publicidade

Queiroz, no entanto, foi enfático ao separar o contexto pernambucano do alagoano. Para ele, a situação em Recife é "extremamente exclusiva": a região conta com um canal próximo à costa, água com maior grau de poluição, porto que destruiu o manguezal e abatedouros nas proximidades — um conjunto de fatores que criaria um ambiente propício para ataques. Em Alagoas, o quadro seria o oposto: recifes de corais que protegem a costa, ambiente conservado, água limpa e alimentos suficientes para os animais, o que mantém o ecossistema em equilíbrio.

O biólogo também abordou a relação entre tubarões e humanos de forma mais ampla. Para ele, o ser humano não é uma presa natural desses animais. Os ataques ocorrem, na maioria das vezes, quando há fatores de atração presentes — água turva, sangue ou ambiente com escassez de alimento — que podem levar o animal a confundir um banhista com uma presa.

Ao encerrar sua análise, Queiroz tranquilizou quem frequenta as praias alagoanas: tubarões existem no mar de Alagoas, assim como em qualquer outro oceano, mas não há registro de ataques no litoral do estado. O ambiente equilibrado seria o principal motivo para esse histórico seguro.

Vale lembrar que não é a primeira vez que o bijupirá causa esse tipo de confusão no Brasil. O peixe bijupirá costuma acompanhar mergulhadores e tubarões em busca de restos de comida, o que aumenta as chances de ser visto em situações que geram dúvida. Especialistas já apontaram o bijupirá como causa de alarmes anteriores envolvendo suposto avistamento de tubarões em praias brasileiras.

Leia também