O km 604 da BR-324, em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador, voltou a ser interditado nesta segunda-feira (27). O local acumula uma série de interdições desde o dia 7 de julho, quando surgiram trincas e um afundamento na pista provocado por um processo erosivo sob a rodovia. Para entender por que os reparos não conseguem resolver o problema de vez, o portal A TARDE ouviu o engenheiro civil Cícero Bastos, especialista em estradas, asfalto e pontes.
O profissional acredita que a causa raiz ainda não foi devidamente atacada. Segundo ele, é possível que um vazamento em alguma tubulação subterrânea tenha provocado a fuga de materiais do subsolo — e que, até agora, as equipes tenham feito apenas reparações paliativas na superfície, sem solucionar o que está acontecendo embaixo da pista.
O próprio DNIT confirmou, em nota, que a inspeção técnica constatou trincas e afundamento provocados por uma falha estrutural em um antigo bueiro localizado sob o aterro da rodovia, e que o problema causou perda de material da camada de suporte do pavimento, comprometendo a estabilidade das faixas de rolamento.
O engenheiro Cícero Bastos destaca que, quando há afundamento desse tipo, a área inteira precisa ser monitorada, e não apenas o ponto visível da cratera. Para ele, o ideal técnico seria isolar a área, providenciar um desvio adequado e realizar sondagens no solo para investigar se há outros trechos com problemas semelhantes nas proximidades.
"Você tem ali a pavimentação e o asfalto, com uma base que podemos chamar de fundação, e ao mesmo tempo passam também as interferências — tubulação de água, adutora, manilha, fiação de fibra ótica e um monte de coisas por baixo", explicou o especialista, segundo a fonte original. Sem entender o que está ocorrendo em cada uma dessas camadas, qualquer reparo corre o risco de durar pouco.
O DNIT informou que equipes técnicas multidisciplinares atuam de forma ininterrupta no local, com apoio de especialistas em geotecnia, geologia e geofísica, e que já foram realizados serviços de sondagem, inspeções, ensaios geofísicos por eletrorresistividade, testes hidráulicos e outras avaliações para identificar a origem do problema.
As equipes também passaram a utilizar um scanner de solo para avaliar as condições da estrutura da pista e elaborar um diagnóstico técnico mais preciso. Uma equipe da Universidade Federal da Bahia (UFBA) também esteve no local para realizar análises da área afetada.
A vistoria completa no interior do bueiro, no entanto, não pôde ser realizada porque há obstáculos que impedem o acesso integral à estrutura, e novos métodos de investigação serão utilizados até a conclusão do diagnóstico.
Até o momento, permanecem sem resposta questões como a profundidade da erosão, a extensão da área comprometida, a existência de vazios sob outros trechos da pista e o risco de novos afundamentos. O DNIT reforçou que as intervenções atuais têm caráter operacional e visam manter a trafegabilidade com segurança enquanto prosseguem os ensaios técnicos necessários à elaboração de uma solução definitiva.
O trecho é uma das principais rotas de acesso entre Salvador e os municípios da Região Metropolitana. A BR-324 está atualmente sob responsabilidade do DNIT após o fim da concessão da ViaBahia, em maio deste ano. O Ministério dos Transportes informou que já está em fase de elaboração um novo modelo de concessão para a rodovia, com proposta a ser submetida à consulta pública ainda em 2025 e leilão previsto para dezembro.







