No Dia Mundial Sem Tabaco, celebrado em 31 de maio, a Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas (Sesau) escolheu um alvo claro para sua campanha deste ano: o cigarro eletrônico. Vapes e pods — como os dispositivos são conhecidos — são vendidos como algo moderno e inofensivo, mas escondem uma mistura de nicotina concentrada, solventes químicos e substâncias cancerígenas que pode causar danos graves em pouco tempo de uso.
A coordenadora do Programa Estadual de Controle do Tabagismo da Sesau, Eunice Canuto, explica que a estratégia da indústria é deliberada. Segundo ela, a fabricação de aparelhos com apelo tecnológico, embalagens coloridas e dezenas de sabores — dos frutados aos que imitam bebidas — tem um objetivo claro: conquistar consumidores cada vez mais jovens, escondendo os reais riscos à saúde.
Os números mostram que essa estratégia está funcionando. A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE 2024) revelou que a experimentação de cigarros eletrônicos entre jovens de 13 a 17 anos quase dobrou, saltando de 16,8% para 29,6%. Especialistas alertam que a nicotina presente nos dispositivos cria dependência mais rapidamente e pode provocar alterações irreversíveis no cérebro de adolescentes.
Muita gente ainda acredita que o vape emite apenas vapor de água. Eunice Canuto desfaz esse mito: segundo a coordenadora, o que é inalado é um aerossol carregado de nicotina em alta concentração e compostos químicos prejudiciais. Ao ser aquecido, o líquido do dispositivo cria um aerossol tóxico que contém substâncias cancerígenas quando inaladas. Um dos riscos menos conhecidos é a bronquiolite obliterante, popularmente chamada de "pulmão de pipoca" — condição que provoca inflamação e fechamento das pequenas vias aéreas do pulmão, dificultando a respiração.
A comercialização, importação e propaganda de cigarros eletrônicos são proibidas no Brasil desde 2009, conforme resolução da Anvisa. Ainda assim, os dispositivos continuam ganhando espaço de forma ilegal, com aparência moderna, sabores adocicados e forte apelo nas redes sociais. O tema oficial do Dia Mundial Sem Tabaco 2026, definido pelo Ministério da Saúde e pelo INCA, é justamente "Desmascarando o apelo: combatendo a dependência de nicotina e tabaco."
Os cigarros convencionais também seguem cobrando seu preço, especialmente entre a população acima dos 45 anos. De acordo com a Sesau, problemas cardíacos, derrames, Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) e vários tipos de câncer estão entre as principais consequências do tabagismo de longa data. O câncer de pulmão, um dos mais letais, tem 85% de seus casos associados ao consumo de derivados do tabaco, e a estimativa para o triênio 2026–2028 é de 32 mil novos casos anuais no Brasil.
Para quem quer parar de fumar, a Sesau oferece suporte gratuito. Segundo informações divulgadas pela secretaria, Alagoas conta com 74 Núcleos de Apoio ao Fumante distribuídos pelo estado, que prestam atendimento multiprofissional, triagem clínica e acompanhamento terapêutico sem custo. Arapiraca lidera a rede com 16 unidades em funcionamento, seguida por Maceió e Pilar, com 11 núcleos cada. A gestão estadual prevê ainda a ampliação dessa rede nos próximos meses.
Eunice Canuto resume o recado da campanha: vencer o vício é difícil, mas ninguém precisa enfrentar esse desafio sozinho. O suporte médico e psicológico está disponível e gratuito para quem decidir dar esse passo.







