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Recém-nascida morre após falha na regulação de vaga em UTI neonatal no Recôncavo Baiano

A bebê Ludmila, de Santo Antônio de Jesus, não resistiu durante a transferência para Feira de Santana — caso ganhou repercussão após apelo público da família por atendimento urgente.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Saúde
31 de maio, 2026 · 11:16 3 min de leitura
Maternidade Luís Argolo em Santo Antônio de Jesus, Bahia, local onde bebês aguardam regulação para UTI neonatal
Maternidade Luís Argolo em Santo Antônio de Jesus, Bahia, local onde bebês aguardam regulação para UTI neonatal

A recém-nascida Ludmila não resistiu. A bebê, natural de Santo Antônio de Jesus (SAJ), no Recôncavo Baiano, morreu durante a transferência para um hospital em Feira de Santana, onde havia, enfim, uma vaga disponível em UTI neonatal. O caso ocorreu neste domingo (31) e causou comoção entre familiares, amigos e centenas de pessoas que acompanhavam a situação pelas redes sociais.

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Segundo informações divulgadas pelo Voz da Bahia, a mãe da criança havia realizado um apelo público pedindo urgência na regulação do atendimento especializado, em razão da gravidade do estado clínico da bebê. O caso se tornou mais um exemplo de uma situação recorrente no interior baiano: recém-nascidos em estado grave aguardando na fila da regulação estadual por uma vaga que demora a chegar.

Não é um episódio isolado. Bebês internados na Maternidade Luís Argolo, em Santo Antônio de Jesus, já foram registrados aguardando na fila de regulação por transferência para uma UTI neonatal. A transferência desses recém-nascidos depende da regulação estadual de saúde, e famílias demonstram preocupação com a demora, temendo que a espera prolongada agrave ainda mais o quadro clínico das crianças.

O município de Santo Antônio de Jesus é polo regional de saúde no Recôncavo, mas não dispõe de UTI neonatal própria com capacidade para absorver todos os casos de alta complexidade. O governador Jerônimo Rodrigues autorizou recentemente a licitação para a construção da primeira UTI Pediátrica do Recôncavo Baiano, que funcionará no Hospital Regional de Santo Antônio de Jesus. A obra, estimada em R$ 10 milhões, prevê a implantação de uma UTI Pediátrica com 10 leitos, além de 26 leitos de enfermaria pediátrica, nova emergência adulta e pediátrica e reforma de 20 leitos de UTI adulto.

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O cenário de dificuldade na regulação de vagas para recém-nascidos não se limita ao Recôncavo. Em outros estados, como o Pará, casos semelhantes ganharam repercussão nacional. A morte da bebê Ágatha, de 14 dias de vida, expôs a face cruel do sistema público de saúde: ela faleceu após finalmente conseguir vaga na UTI neonatal de um hospital em Belém, para onde foi transferida às pressas somente nove dias depois de diagnosticada com pneumonia e complicações respiratórias.

O governo da Bahia tem apresentado dados de avanço na regulação de leitos. Em 2025, 71% dos pacientes regulados foram atendidos em até 24 horas — índice que era de 49% em 2022. No entanto, os números gerais não impedem que casos críticos, especialmente envolvendo recém-nascidos em municípios do interior, ainda enfrentem gargalos letais na fila de espera.

Nos últimos anos, foram abertos 12 novos hospitais no estado, e atualmente oito unidades estão em construção em diferentes regiões, como Paulo Afonso, Alagoinhas, Jacobina, Valença e Serrinha, com o objetivo de fortalecer a oferta de média e alta complexidade de forma regionalizada. Mesmo com esses investimentos, a tragédia com a bebê Ludmila mostra que a ampliação da rede ainda não chegou a tempo para todas as famílias.

O velório de Ludmila está previsto para a tarde deste domingo (31), no Velório Paroquial de Santo Antônio de Jesus, segundo informações divulgadas pelo Voz da Bahia. A família e amigos lamentam não apenas a perda, mas o desfecho que poderia ter sido diferente com o acesso oportuno ao atendimento especializado.

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