A Casa do Autista de Maceió chegou a uma etapa decisiva: dezenas de famílias já passaram pelas triagens multiprofissionais e, em breve, os primeiros pacientes darão início às terapias. A unidade, inaugurada em 1º de abril de 2026, é considerada a primeira estrutura multidisciplinar do país voltada exclusivamente a crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
O processo de triagem envolve entrevistas com responsáveis, observação clínica e análises comportamentais. As sessões têm duração média de 45 minutos e podem ser estendidas conforme a necessidade identificada pela equipe. O objetivo é entender habilidades, dificuldades e o nível de suporte necessário para cada paciente — e, a partir disso, montar o chamado Projeto Terapêutico Singular (PTS).
A diretora-geral da unidade, Fabiana Lisboa, explicou que a meta é construir um atendimento personalizado para cada família. "Nossa missão é fazer com que essas famílias tenham qualidade de vida e sejam acolhidas de forma humanizada", disse, segundo informações divulgadas pela Ascom Maceió Saúde. A expectativa é que os primeiros avaliados iniciem as terapias na semana seguinte ao anúncio.
Participam das avaliações profissionais de psicologia, pedagogia, psicopedagogia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, nutrição, assistência social, educação física, fisioterapia, musicoterapia e enfermagem. Depois das triagens, uma junta técnica será responsável pelo fechamento dos laudos e pela definição dos planos individuais de cada paciente.
Uma mãe do bairro Prado, Aline Thaise Oliveira dos Santos, acompanhou os dois filhos autistas nas avaliações e relatou satisfação com o acolhimento recebido. "A estrutura está muito boa e tudo o que eu quero é que meus filhos evoluam aqui dentro", disse, conforme divulgado pela unidade.
O contexto nacional ajuda a entender o peso da iniciativa. O Brasil tem cerca de 2,4 milhões de pessoas com diagnóstico de TEA, segundo dados do Censo 2022, e a pressão sobre o sistema de saúde cresce — no SUS, o cenário é marcado pelo aumento das filas e pela ausência de padronização do atendimento entre municípios e estados. Apenas 15,5% dos entrevistados em pesquisa nacional disseram realizar terapias pela rede pública de saúde, enquanto mais de 60% informaram usar planos de saúde ou pagar de forma particular para ter acesso ao serviço.
Considerada a primeira unidade multidisciplinar do Brasil voltada exclusivamente para pessoas com transtorno do espectro autista, a Casa do Autista de Maceió reúne uma ampla rede de atendimentos clínicos e terapêuticos. A estrutura conta com sala de integração sensorial, a chamada "Maceiozinha" — uma minicidade criada para simular situações do cotidiano —, jardim sensorial, viveiro, piscina, parque inclusivo, auditório e espaços de convivência.
Voltada para pacientes de até 17 anos e 11 meses, a unidade deve realizar, em média, seis mil atendimentos por mês quando estiver em pleno funcionamento. O acesso aos serviços é gratuito e feito por encaminhamento da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), na Avenida Fernandes Lima, 233, no bairro Farol, em Maceió.
A gestão da unidade é feita pelo Maceió Saúde, organização social já reconhecida pela atuação no Hospital da Cidade. A diretora-presidente da instituição, Camila Porciúncula, destacou que o trabalho segue o mesmo padrão de excelência já consolidado naquele hospital, com foco em processos organizados e cuidado integral às crianças e às famílias, segundo informações divulgadas pela Ascom Maceió Saúde.
O pioneirismo da casa se consolida também ao estender acompanhamento psicológico e social a mães, pais e responsáveis por pessoas com TEA — uma dimensão que vai além do tratamento clínico convencional e que, segundo especialistas, faz diferença direta nos resultados terapêuticos.







