O governador de Alagoas, Paulo Dantas (MDB), abriu mão de disputar as eleições de outubro de 2026. A decisão, no entanto, não o afastou das articulações políticas — muito pelo contrário. Impedido de concorrer, ele passou a funcionar como principal cabo eleitoral do seu grupo, especialmente no interior do estado.
Ao optar por permanecer no governo até o fim do mandato, Dantas tornou-se inelegível para a disputa de 2026. Ele poderia ter sido eleito senador ou deputado federal com relativa facilidade caso tivesse renunciado ao cargo em abril. Ao ficar, tornou-se inelegível e permanece no posto até o fim do mandato.
Por trás da permanência, há um cálculo político claro. A aproximação entre o vice-governador Ronaldo Lessa (PDT) e o ex-prefeito de Maceió JHC (PSDB) alterou os cálculos do grupo governista. Se tivesse deixado o cargo, Dantas teria sido sucedido por Lessa, que assumiria o governo por cerca de nove meses e passaria a controlar a estrutura administrativa do Estado num momento decisivo para a definição das alianças eleitorais.
Ao optar por ficar no governo, Dantas abriu mão de um mandato praticamente assegurado para comandar a construção da vitória do seu grupo político na sucessão estadual. Ele passou a concentrar esforços na coordenação da campanha de Renan Filho ao governo e na organização das chapas proporcionais, em articulação direta com Marcelo Victor.
Nas últimas semanas, o governador ampliou agendas no interior de Alagoas, participou de encontros políticos e intensificou conversas com lideranças municipais — movimento que, segundo informações divulgadas pelo portal Cadaminuto, inclui distribuição de benefícios via Pix para apoiadores na região interiorana.
O próximo passo de Dantas parece estar definido. O grupo político do governador trabalha com a possibilidade de ele assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado após o encerramento do mandato, preservando a presença institucional depois de deixar o Executivo. As negociações em torno do suposto acordo passam pela renúncia negociada do conselheiro Otávio Lessa em troca de apoio do grupo palaciano à reeleição do deputado federal Rafael Brito, genro de Otávio, e à candidatura do irmão Ronaldo Lessa ao Senado.
O caminho ao TCE-AL não seria novidade no grupo. O governador Paulo Dantas nomeou, em abril deste ano, Bruno Toledo como novo conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de Alagoas. A escolha foi conduzida pelo presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Victor. Segundo o Cadaminuto, a ex-primeira-dama Renata Calheiros, esposa do senador Renan Filho, também já teria sido encaminhada ao TCE por acordo firmado em 2022.
Marcelo Victor tem se revelado o "rei dos bastidores" na política alagoana. Na sua última recondução à presidência da Assembleia, recebeu os votos de todos os 27 deputados estaduais, e foi dele, em 2022, a articulação que fez de Dantas o sucessor de Renan Filho no governo.
O grupo atualmente detém o controle de mais de 80% da força política do estado, reunindo 21 dos 27 deputados estaduais e o apoio de mais de 90 dos 102 prefeitos alagoanos. É sobre essa estrutura que Dantas opera sua última campanha eleitoral antes de, segundo a análise política em circulação, migrar definitivamente para o TCE.
A hipótese de uma candidatura à prefeitura de Maceió, que circula nos bastidores, é vista com ceticismo até pelo entorno do próprio governador. Segundo o Cadaminuto, Dantas sabe que a capital alagoana não é seu território eleitoral natural — e que o TCE oferece uma alternativa mais segura de manutenção de influência depois de deixar o Palácio República dos Palmares.







