O presidente da Câmara Municipal de Salvador (CMS), Carlos Muniz, articula a permanência no comando da Casa no biênio 2027-2028. Segundo o Bahia Notícias, ele obteve parecer jurídico favorável à possibilidade de recondução, elaborado pelo escritório do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ayres Britto.
Muniz pretende apresentar a tese ao ministro Kássio Nunes Marques, do STF, em busca de um aval informal. Um grupo de três a cinco vereadores teria prometido apoiar a candidatura caso esse respaldo seja obtido.
A tentativa ocorre em meio ao entendimento firmado pelo STF em dezembro de 2022. No julgamento de nove ações diretas de inconstitucionalidade, a Corte decidiu que a eleição para mesas diretoras de assembleias legislativas não pode ultrapassar uma reeleição consecutiva para o mesmo cargo. O tribunal também definiu que a restrição não impede a ocupação de outra função na direção da Casa.
Segundo interlocutores da CMS, Muniz usa o regimento interno para defender uma brecha. Ele assumiu a presidência em 2023 por sucessão, após a renúncia de Geraldo Júnior, que deixou o mandato de vereador para tomar posse como vice-governador da Bahia. Em 2 de janeiro de 2025, Muniz foi eleito diretamente para o biênio 2025-2026, com 39 votos. O presidente considera esse pleito sua primeira ocupação do cargo por votação direta. Assim, uma eventual vitória em 2027 seria, em sua avaliação, a segunda nesse critério.
Se não puder concorrer, Muniz afirmou, em reunião de líderes na quarta-feira (23), que vai conversar com o prefeito Bruno Reis para definir o nome apoiado pela base. Ele também disse que terá poder de veto sobre a escolha.
A disputa já inclui Alexandre Aleluia, presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Os dois tiveram um atrito na reunião de líderes, descrito por colegas como forte. O episódio ocorreu durante divergências sobre a votação de emendas e, segundo a apuração, contribuiu para o cancelamento da sessão de segunda-feira (28).
As conversas reduziram a possibilidade de acordo entre os dois principais nomes e podem levar ao lançamento de chapas rivais. Os dez vereadores de oposição avaliam apresentar candidatura própria e negociar espaços em comissões antes de decidir eventual apoio. Ricardo Almeida, Sidninho e Maurício Trindade também são citados na disputa pela primeira vice-presidência, com Almeida apontado como favorito.
Na Assembleia Legislativa da Bahia, Adolfo Menezes foi eleito para três biênios seguidos, em 2021, 2023 e 2025. Uma semana depois da terceira eleição, o ministro Gilmar Mendes determinou seu afastamento. O caso reforçou o debate sobre os limites para reconduções em mesas diretoras.







