A Bahia passa a contar com um instrumento inédito no país para o setor audiovisual. A inauguração da Bahia Filmes, primeira empresa pública estadual de audiovisual do Brasil, ocorre neste 28 de junho de 2026, com evento oficial na sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI). O ato marca a transição de uma lei aprovada em 2025 para uma estrutura com sede, diretoria, governança e orçamento próprios.
O governador Jerônimo Rodrigues sancionou a lei que criou a Bahia Filmes em fevereiro de 2025, numa cerimônia realizada no Cine Glauber Rocha, no Centro Histórico de Salvador. O projeto havia sido encaminhado à Assembleia Legislativa da Bahia em outubro de 2024 e, menos de um mês depois, teve a criação aprovada pelos deputados estaduais.
A empresa contará com investimento anual de R$ 22 milhões, sendo R$ 7 milhões de custeio e R$ 15 milhões voltados para atrair novos recursos e alavancar a política. No total, o plano prevê a movimentação de R$ 88 milhões nos próximos quatro anos, ou seja, até 2030.
Criada como sociedade de economia mista vinculada ao Governo do Estado da Bahia, a Bahia Filmes terá autonomia para gerir seus próprios recursos e captar investimentos. Após o registro oficial na Junta Comercial do Estado da Bahia (Juceb), foram definidos os conselhos de administração e fiscal, além da diretoria executiva.
A empresa não se limita a financiar produções. Seu papel será atuar como elo entre as diferentes partes da cadeia do audiovisual, trabalhando em eixos como captação de recursos nacionais e internacionais, formação e diagnóstico do mercado, além de distribuição e difusão das obras baianas para o público, seja em cinemas, na TV ou no streaming.
Inspirada em modelos como a SPCine, de São Paulo, e a RioFilme, do Rio de Janeiro, a Bahia Filmes não apenas incentiva a produção, mas também busca estruturar a cadeia audiovisual, garantindo financiamento contínuo, distribuição e capacitação para profissionais do setor. O diferencial, porém, é o recorte territorial: a empresa foi pensada para viabilizar que o audiovisual aconteça em todo o estado, alcançando os 417 municípios e 27 territórios da Bahia.
A demanda por representação regional já chegou ao debate público. Realizadores do interior manifestaram preocupação de que as ações da empresa se concentrem em Salvador, e diversos agentes culturais propuseram que o interior do estado tenha um representante na estrutura da Bahia Filmes. Isso inclui o semiárido e municípios como Paulo Afonso, que têm tradição crescente em produção audiovisual independente.
Os números do setor justificam a aposta. Entre 2015 e 2021, o audiovisual movimentou cerca de R$ 160 milhões em investimentos para produções na Bahia. Estudos apontam retorno tributário estimado de R$ 2,60 para cada R$ 1,00 investido, com projeção de que cada R$ 10 milhões aplicados na produção audiovisual gerem cerca de R$ 29 milhões na economia geral, impactando setores como hotelaria, gastronomia, transportes e serviços.
O governador Jerônimo Rodrigues vinculou a criação da empresa a uma lacuna histórica. "Como tantos baianos, não tive a oportunidade de acessar o cinema. Não havia sala pública, sequer para documentários. Vejo a chance de corrigir essa lacuna. Quero ver, pela Bahia, salas públicas de cinema. É a oportunidade de levar à tela os distintos e talentosos autores, escritores e artistas baianos", disse.
Para o secretário de Cultura, Bruno Monteiro, o impacto vai além da produção cultural. "Essa empresa coloca a Bahia em outro patamar de desenvolvimento. É um novo ciclo econômico baseado na economia criativa. Temos a felicidade de gerar emprego e renda a partir da nossa própria identidade", afirmou.






