A ativista Arísia Barros, coordenadora do Instituto Raízes da África, em Maceió (AL), publicou neste sábado (28) a quarta carta aberta dirigida ao prefeito Rodrigo Cunha. O texto questiona o esvaziamento da Secretaria Municipal da Mulher, Pessoas com Deficiência, Idosos e Cidadania, a Semuc, que segue sem titular efetiva desde a posse da nova gestão municipal.
Segundo a publicação veiculada pelo portal Cada Minuto, a carta anterior — a terceira da série — ultrapassou 10 mil leituras no blog da ativista, o que motivou a redação de uma nova missiva. O tom é de cobrança direta: a ativista aponta que a secretaria opera com apenas uma assessora nomeada interinamente, sem estrutura, sem orçamento e sem ações concretas para as populações que deveria atender.
De acordo com informações divulgadas pela fonte, o perfil oficial da Semuc no Instagram também teria sido desativado, cortando um canal de comunicação com a população. "O instagram da Semuc foi defenestrado, apagado, jogado no vácuo", escreveu a ativista na carta.
A cobrança não se limita às mulheres. Arísia Barros lista uma série de pautas que, segundo ela, exigem resposta urgente da prefeitura: combate ao feminicídio, políticas antirracistas, proteção à comunidade LGBTQIAPN+, enfrentamento ao idadismo — a discriminação por idade — e garantia de direitos às pessoas com deficiência. Todos esses temas fazem parte do escopo formal da Semuc.
O contexto tem peso histórico. Maceió é capital do estado de Alagoas, território que abriga a memória do Quilombo dos Palmares. A ativista invoca essa herança para reforçar a urgência de narrativas e políticas antirracistas substantivas. Durante a gestão anterior, Arísia Barros atuou diretamente como coordenadora-geral da Igualdade Racial dentro da própria Semuc, onde participou de conferências, rodas de conversa e ações com coletivos de mulheres pretas periféricas.
A mudança de gestão parece ter alterado esse cenário. O Diário Oficial do Município de março de 2026 registra Sarah da Silva Nunes Pontes como secretária interina da pasta, confirmando o caráter provisório da liderança da Semuc neste início de mandato de Rodrigo Cunha.
Na carta, a ativista interpela diretamente o prefeito: "Quais são os encaminhamentos para as questões em pauta, prefeito Rodrigo Cunha? Tem diálogo?". Ela define o exercício das cartas como uma forma de controle social da gestão pública.
A prefeitura de Maceió não se manifestou publicamente sobre os questionamentos levantados na carta até o momento da publicação desta reportagem.






