A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou, nas primeiras horas desta quarta-feira (12), uma operação contra um grupo suspeito de fabricar e distribuir anabolizantes, medicamentos controlados e termogênicos adulterados. Batizada de Operação Narciso, a ação é conduzida pela Divisão de Defesa do Consumidor, ligada à Coordenação de Repressão aos Crimes contra o Consumidor, a Propriedade Imaterial e as Fraudes (Corf).
A Justiça expediu 43 mandados de prisão preventiva e temporária e outras 64 ordens de busca e apreensão, cumpridos no Distrito Federal e em mais oito estados: Acre, Goiás, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Rio Grande do Norte, Santa Catarina e São Paulo. Também foi determinado o bloqueio de R$ 32 milhões em contas e ativos financeiros dos investigados.
Segundo a PCDF, a organização mantinha uma rota de abastecimento de insumos ligada ao Paraguai e usava veículos de luxo, entre eles modelos das marcas Porsche, Audi e Mercedes, apreendidos durante a ação. Mais de 20 estabelecimentos comerciais foram lacrados e cerca de 30 sites usados para vender os produtos foram tirados do ar.
De acordo com as investigações, os anabolizantes eram produzidos de forma artesanal e caseira, muitas vezes sem condições mínimas de higiene, misturando substâncias hormonais, diuréticos e estimulantes a insumos precários. Médicos veterinários suspeitos de integrar o esquema teriam emitido receituários falsos para viabilizar a compra de medicamentos controlados em casas agropecuárias, enquanto nutricionistas e personal trainers recomendavam o uso das substâncias a clientes.
Para dar aparência de legitimidade aos produtos, o grupo teria usado rótulos com textos em outros idiomas e bandeiras de países estrangeiros nas embalagens. Uma gráfica é apontada como responsável por imprimir esse material sob encomenda e apagar os arquivos das máquinas para dificultar a identificação da origem.
As investigações começaram a partir da Operação Béquer, deflagrada em fevereiro de 2025, quando policiais cumpriram um mandado de busca no imóvel de um dos suspeitos apontados como líder do esquema. A análise do celular apreendido na ocasião levou à identificação de diferentes núcleos da organização, entre fornecedores, laboratórios clandestinos e distribuidores.
Entre os alvos da operação estão uma influenciadora digital do ramo fitness e o ex-marido dela, suspeitos de divulgar e distribuir um produto emagrecedor com substâncias proibidas, além de um personal trainer que já havia ficado conhecido nacionalmente por outro caso policial. A PCDF não divulgou a identidade de todos os investigados.







