O soldado Raphael Sampaio da Silva, de 27 anos, foi morto e teve o corpo carbonizado dentro do próprio carro na madrugada desta terça-feira (11), no bairro Ancuri, em Itaitinga, na Região Metropolitana de Fortaleza. A colega de farda dele na Polícia Militar do Ceará (PMCE), a soldado Júlia Natália Girão Gomes, de 27 anos, foi presa em flagrante por homicídio horas depois, e o marido dela, Antoneudo Ribeiro, passou a ser investigado pela Polícia Civil.
Exames da Perícia Forense do Ceará (Pefoce) apontaram que Raphael foi atingido por disparos de arma de fogo ainda com vida, e o corpo só depois foi carbonizado. Ele foi encontrado algemado dentro do veículo em chamas, no Quarto Anel Viário do município.
Júlia relatou à Polícia Civil que também havia sido vítima e foi encontrada amarrada em uma área de mata às margens da BR-116, em Aquiraz, no mesmo horário do crime. Uma câmera de segurança, porém, flagrou a policial circulando livremente na oficina mecânica do marido por volta das 8h52 daquela terça, contradizendo a versão que ela deu aos investigadores.
A principal linha da Polícia Civil aponta um crime passional. Segundo a apuração, Raphael e Júlia teriam mantido um relacionamento amoroso, e Antoneudo teria descoberto a traição. As autoridades investigam se a soldado atraiu o colega para o local do crime logo após o fim do expediente dele no 16º Batalhão da PM, em Messejana.
Júlia já respondia a processos por estelionato, lavagem de dinheiro e integração de organização criminosa. Segundo apuração, o casal planejava fugir para São Paulo, mas foi detido antes de deixar o Ceará.
A defesa dos suspeitos nega o envolvimento de Antoneudo no crime e contesta a existência de uma traição, classificando a relação entre a policial e a vítima como estritamente profissional. Os advogados também questionam a nitidez das imagens de segurança usadas na investigação.
O governador do Ceará, Elmano de Freitas, lamentou a morte do soldado e determinou "rigor absoluto" nas investigações. O Ministério Público do Ceará criou uma força-tarefa de promotores para acompanhar o caso, diante da gravidade e da complexidade da ocorrência. A apuração segue sob responsabilidade da Delegacia de Homicídios Contra Agentes de Segurança Pública (DHASP).







