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Política

TRE-AL intima instituto ligado a primo de Arthur Lira a comprovar regularidade de pesquisa eleitoral em AL

Empresa apontada como contratante do levantamento negou ter feito o pagamento ou autorizado nota fiscal; MDB acionou a Justiça e prazo de 24h foi fixado pelo desembargador eleitoral.

Redação ChicoSabeTudo
29 de junho, 2026 · 00:09 3 min de leitura
Fachada do Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL), em Maceió
Fachada do Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL), em Maceió

O Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL) notificou o Grupo de Pesquisa São Judas Tadeu — mais conhecido como TDL Pesquisa — para apresentar, em 24 horas, documentos que comprovem a regularidade da contratação e do pagamento de um levantamento eleitoral registrado sob o número AL-04608/2026. A decisão foi tomada na noite da última sexta-feira (26).

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A pesquisa em questão, divulgada no dia 26 de junho de 2026, mostrava o ex-prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (JHC), do PSDB, com 52% das intenções de voto em um eventual segundo turno da disputa pelo governo de Alagoas. O senador Renan Filho (MDB) aparecia com 37%.

Segundo os dados divulgados, o levantamento teve custo de R$ 47 mil e foi contratado pela empresa R B Dantas LTDA / Coagro. O problema: a própria R B Dantas negou qualquer vínculo com o serviço. A empresa afirmou que não contratou o levantamento, não autorizou a emissão da Nota Fiscal de Serviço Eletrônica nº 68 e não efetuou pagamento pelo serviço.

A decisão foi proferida pelo juiz auxiliar da Propaganda, desembargador eleitoral Leo Dennisson Bezerra de Almeida, após o MDB apresentar novos elementos no processo. O magistrado afirmou que as alegações têm relevância por envolverem informações obrigatórias do registro de pesquisas eleitorais, como a identificação do contratante, a origem dos recursos, o responsável pelo pagamento e a nota fiscal correspondente.

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Apesar disso, o juiz não suspendeu a divulgação da pesquisa. Como o levantamento já havia sido divulgado e os fatos novos ainda não foram submetidos ao contraditório, a decisão garantiu à TDL a oportunidade de se manifestar antes de qualquer análise de tutela de urgência.

O TRE determinou que a TDL apresente, caso existam: o contrato de prestação de serviços, a autorização da R B Dantas para a contratação ou para a emissão da nota fiscal, comprovantes de pagamento ou documentos que demonstrem a origem dos recursos utilizados. Após o prazo, com ou sem resposta da empresa, o processo voltará ao relator para decisão sobre o pedido de liminar do MDB.

O Grupo TDL pertence a Tadeu Lira, primo do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, e irmão do ex-prefeito de Maragogi, Sérgio Lira, apontado como um dos coordenadores da pré-campanha de JHC. A conexão entre o dono do instituto e o campo político favorecido pela pesquisa acirrou as suspeitas em torno do levantamento.

O estrategista eleitoral Eugênio Albuquerque, proprietário do Instituto DataSensus, voltou a questionar publicamente a credibilidade do TDL após a polêmica. Ele afirmou que já travou disputas judiciais contra o Grupo TDL e disse que os próprios resultados divulgados pela empresa ao longo dos últimos anos comprometem sua credibilidade.

A TDL Pesquisa entrevistou presencialmente 1.200 eleitores com 16 anos ou mais, entre os dias 20 e 22 de junho de 2026, em municípios distribuídos por todas as regiões do estado. A margem de erro declarada é de 2,7 pontos percentuais, com grau de confiança de 95%.

Até o momento, a decisão judicial não conclui pela existência de irregularidade na pesquisa. O TRE apenas determinou que a empresa apresente esclarecimentos antes de uma reavaliação do pedido de liminar. A disputa pelo governo de Alagoas em 2026 deve continuar sendo palco de embates entre os campos políticos rivais liderados por JHC e Renan Filho.

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