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Política

Deputado alinhado a Renan Calheiros lidera articulação para criar CPI do IPREV em Alagoas

Dr. Wanderley, do MDB, encabeça coleta de assinaturas na Assembleia Legislativa para investigar R$ 117,9 milhões do fundo de previdência de Maceió aplicados no Banco Master

Redação ChicoSabeTudo
26 de junho, 2026 · 07:34 3 min de leitura
Deputados na Assembleia Legislativa de Alagoas durante debate sobre o IPREV e o Banco Master
Deputados na Assembleia Legislativa de Alagoas durante debate sobre o IPREV e o Banco Master

Um movimento político dentro da Assembleia Legislativa de Alagoas acendeu o debate sobre as finanças do Instituto de Previdência dos Servidores de Maceió (IPREV). O deputado estadual Dr. Wanderley (MDB), médico apontado como aliado próximo do senador Renan Calheiros, iniciou junto com outros parlamentares a coleta de assinaturas para instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito — a CPI do IPREV.

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Os deputados Dr. Wanderley e Remi Calheiros — ambos do MDB — e Ronaldo Medeiros (PT) iniciaram a coleta de assinaturas para formação da CPI na Assembleia Legislativa de Alagoas, com o objetivo de investigar o investimento de R$ 117,9 milhões do IPREV em letras financeiras do Banco Master.

São necessárias nove assinaturas para a formação da CPI, e o trio afirma ter a certeza de que não haverá problemas. "Já conversei com colegas da oposição, entre eles o Cabo Bebeto (PL), e todos se disseram dispostos a subscrever o pedido", declarou Dr. Wanderley.

O pano de fundo do caso é grave. Documentos revelam que o IPREV aplicou R$ 168,5 milhões em operações suspeitas — sendo R$ 117,9 milhões em letras financeiras do Banco Master e R$ 51,4 milhões em cotas do fundo imobiliário Nest Eagle. O presidente do Banco Master, Daniel Bueno Vorcaro, foi preso pela Polícia Federal em operação que apura suspeitas de gestão fraudulenta, emissão irregular de títulos e participação em organização criminosa.

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Segundo o senador Renan Calheiros, Maceió foi a única capital brasileira a aplicar recursos previdenciários em letras financeiras do Banco Master, operação que teria ocorrido sem garantias suficientes. O valor foi aplicado sem a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e, até o momento, o gestor municipal nunca se manifestou sobre o dinheiro perdido.

A questão política, porém, está no centro do debate. Críticos apontam que a iniciativa de Wanderley na Assembleia serve mais aos interesses eleitorais de Renan Calheiros — que trava embate aberto com o grupo político ligado ao ex-prefeito JHC — do que à busca por uma investigação isenta. Segundo informações divulgadas pelo portal Cada Minuto, a CPI, se instalada, atenderia exclusivamente à agenda do senador, que agora articula a candidatura de Wanderley ao Senado para tentar enfraquecer adversários.

As discussões sobre o Banco Master e a suposta fraude envolvendo recursos do IPREV já provocaram um embate entre os senadores alagoanos Renan Calheiros (MDB) e Eudócia Caldas (PSDB) na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado Federal, da qual Renan é presidente. A senadora Eudócia afirmou que o próprio Renan teria mantido reuniões com Daniel Vorcaro quando poucas pessoas tinham acesso ao banqueiro, e criticou uma proposta legislativa do senador ligada ao Fundo Garantidor de Créditos.

O deputado Ronaldo Medeiros também chamou atenção para outros R$ 56 milhões aplicados em um fundo chamado Nest Eagle: "ninguém conhece, ninguém sabe de onde veio nem para onde vão esses recursos", declarou.

Enquanto isso, a Polícia Federal segue com investigação paralela sobre o caso. Segundo informações divulgadas pelo portal Cada Minuto, o trabalho da PF não tem poupado ninguém, e esse processo de apuração independente é visto por analistas como o caminho mais confiável — justamente por estar livre da contaminação eleitoral que marca a disputa entre os grupos políticos alagoanos.

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