Paulo Afonso · BA
Última hora
PI 637
Saúde

Oncologista alerta: hábitos de vida desde a infância explicam avanço do câncer entre jovens no Brasil

Especialista da Santa Casa de Maceió aponta que apenas 16% dos casos em adultos jovens têm origem genética — a maior parte está ligada a fatores modificáveis como dieta, sedentarismo e ultraprocessados.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Saúde
26 de maio, 2026 · 16:27 3 min de leitura
Portal ChicoSabeTudo
Portal ChicoSabeTudo

O câncer deixou de ser uma doença associada apenas à velhice. A oncologista Fabrísia Coutinho, da Santa Casa de Maceió, chamou atenção para o aumento preocupante de diagnósticos entre adultos com menos de 50 anos e apontou os hábitos de vida como principal motor desse fenômeno. A declaração foi dada em entrevista ao Jornal da Manhã, da TV Asa Branca.

Publicidade

"Até pouco tempo, o câncer era muito associado ao envelhecimento. Mas o aumento entre pacientes jovens vem crescendo de forma alarmante nas últimas décadas", afirmou a especialista. O contexto nacional reforça a preocupação: o Brasil deve registrar cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano entre 2026 e 2028, segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA). Isso representa um aumento de aproximadamente 10,9% em relação ao triênio anterior.

A médica destacou que a hereditariedade responde por uma fatia menor do que muitos imaginam: segundo ela, apenas cerca de 16% dos casos em jovens estão relacionados a fatores genéticos. A maior parte dos diagnósticos está ligada a condições ambientais e comportamentos iniciados ainda na infância e adolescência.

Entre os fatores de risco listados pela oncologista estão obesidade infantil, sedentarismo, consumo elevado de alimentos ultraprocessados, baixa ingestão de fibras, tabagismo, uso de cigarros eletrônicos, ingestão de álcool e exposição a poluentes. No Brasil, o avanço do excesso de peso entre jovens se soma a uma mudança profunda na alimentação, marcada pelo crescimento do consumo de ultraprocessados e pelo sedentarismo.

Publicidade

Os tumores mais frequentes nessa faixa etária são os de mama, intestino, tireoide e melanoma. Dados internacionais mencionados pela especialista apontam que, só em 2022, cerca de 1,3 milhão de novos casos de câncer foram diagnosticados em jovens adultos e adolescentes no mundo. A American Cancer Society indica que pessoas nascidas após 1990 têm até quatro vezes mais risco de desenvolver câncer retal do que aquelas nascidas nos anos 1950.

Fabrísia Coutinho também ressaltou medidas preventivas que vão além da alimentação. Sono adequado, redução do estresse e vacinação — especialmente contra HPV e hepatite B — foram citados como aliados na redução do risco de diferentes tipos de câncer. Um dos impactos mais diretos dessa tendência de aumento do câncer em adultos jovens é a necessidade de revisar protocolos de rastreamento. Sociedades médicas internacionais já reduziram a idade recomendada para início do rastreamento por colonoscopia de 50 para 45 anos — ou antes, em casos de histórico familiar.

A especialista listou sintomas que não devem ser ignorados em pacientes jovens: sangramentos sem causa aparente, perda de peso inexplicada, fadiga intensa, alterações no funcionamento intestinal, nódulos na mama ou no testículo e tosse persistente. Os consultórios já recebem pacientes cada vez mais jovens investigando sintomas como sangramento, anemia e alterações no funcionamento intestinal — e o problema é que muitos chegam tardiamente ao diagnóstico.

O diagnóstico precoce, segundo a oncologista, é decisivo. Quanto antes a doença é identificada, maiores são as chances de cura e menores os danos causados pelo tratamento. Ela também destacou a importância da rede de apoio familiar e multidisciplinar, já que pacientes jovens costumam enfrentar impactos emocionais, sociais e profissionais mais intensos durante o processo. As previsões do INCA confirmam que o câncer vem se consolidando como uma das principais causas de adoecimento e morte no Brasil, aproximando-se das doenças cardiovasculares.

Leia também