Um consultório dentário que anda. Essa é, em resumo, a iniciativa que a Prefeitura de Olho d'Água do Casado, no sertão alagoano, vem colocando em prática por meio do Odontomóvel — a Unidade Odontológica Móvel (UOM). O veículo adaptado percorre tanto as comunidades rurais quanto os bairros urbanos do município, levando consultas, procedimentos básicos e orientações de prevenção de forma totalmente gratuita, segundo informações divulgadas pela Secretaria Municipal de Saúde.
O principal benefício é direto: quem mora em localidades distantes do centro não precisa mais organizar transporte, perder um dia de trabalho e enfrentar filas para tratar um dente. O atendimento chega perto de casa. Para muitos moradores, isso representa uma mudança concreta na rotina. "Graças a Deus que esse trabalho chegou nas comunidades para servir de fato a quem precisa. Esse atendimento próximo facilita e muito a nossa vida", afirmou uma moradora beneficiada, de acordo com a prefeitura.
A dificuldade de acesso a dentistas em cidades do interior e zonas rurais é um problema nacional. Em áreas remotas do Brasil, a relação chega a superar um dentista para cada mil habitantes, contra aproximadamente um para cada 400 nas grandes cidades — uma disparidade que se traduz em acesso muito desigual, e que faz com que moradores de comunidades rurais ou ribeirinhas dificilmente consultem um dentista sequer uma vez ao ano.
No Nordeste, o cenário é ainda mais crítico. A escassez de profissionais, a distância até os centros de atendimento e a baixa renda da população dificultam ainda mais o acesso ao cuidado odontológico especializado na região. Iniciativas como o Odontomóvel surgem justamente para enfrentar essa realidade.
O modelo não é exclusividade de Olho d'Água do Casado. A entrega de novas UOMs pelo governo federal marca a retomada, após dez anos, de uma ação estratégica do programa Brasil Sorridente, voltada a garantir acesso à saúde bucal em regiões rurais, remotas e de difícil acesso. Somente em Alagoas, uma das etapas previu a entrega de 14 unidades com investimento de R$ 5,31 milhões, beneficiando municípios em áreas de difícil acesso e ampliando o atendimento para populações rurais, quilombolas, indígenas, assentadas e outras comunidades vulneráveis.
Cada unidade tem o potencial de atender cerca de 3,5 mil pessoas. A UOM pode ser considerada uma extensão de uma Unidade Básica de Saúde (UBS), funcionando como um ponto de referência local para quem não conseguiria, de outra forma, marcar uma consulta.
Em Olho d'Água do Casado, o Setor de Saúde informou, segundo a prefeitura, que as equipes municipais continuam mapeando as necessidades de cada localidade para definir o roteiro das próximas semanas. A gestão municipal avalia que o programa vai além da prestação de um serviço básico, atuando também na melhoria da autoestima e da qualidade de vida dos moradores atendidos.







