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Saúde

Trabalhadores da limpeza urbana de Salvador levantam voz contra o risco oculto no lixo comum

Garis da capital baiana filmam e publicam alertas nas redes sociais após encontrar seringas, agulhas e lâminas misturadas ao lixo doméstico durante a coleta diária.

Redação ChicoSabeTudo
14 de julho, 2026 · 12:29 3 min de leitura
Gari trabalhando na coleta de lixo nas ruas de Salvador, Bahia
Gari trabalhando na coleta de lixo nas ruas de Salvador, Bahia

Um vídeo publicado nas redes sociais por um gari de Salvador jogou luz sobre um problema silencioso e perigoso: materiais de origem hospitalar — seringas, agulhas, lâminas e outros objetos perfurocortantes — estão sendo descartados junto ao lixo doméstico comum, colocando em risco quem trabalha na coleta diária pelas ruas da cidade.

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O trabalhador, que também atua como influenciador digital, usou a câmera para mostrar o que encontra nos contêineres e sacos de lixo durante o expediente. Segundo ele, a situação é rotineira. No vídeo, o alerta é direto: a população precisa entender que do outro lado do saco de lixo há uma pessoa com as mãos expostas.

O risco não é pequeno. Seringas, agulhas, ampolas de vidro e lâminas de bisturi são exemplos de objetos que não podem ser descartados no lixo comum. Se não acondicionados corretamente, podem expor os trabalhadores ao risco de contaminação por doenças como HIV, hepatite B e hepatite C.

O problema vai além de Salvador. O descarte inadequado de seringas, agulhas e outros materiais perfurocortantes junto ao lixo comum tem se tornado uma grave ameaça à saúde de garis e trabalhadores em diversas cidades brasileiras. Especialistas em saúde pública alertam que esses objetos podem transmitir doenças como hepatite B, hepatite C, tétano e HIV, caso entrem em contato com ferimentos na pele.

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Os números mostram a dimensão do problema. Só no Distrito Federal, de janeiro a agosto de 2025, o Serviço de Limpeza Urbana registrou 98 acidentes com garis causados por materiais perfurocortantes — número que já equivale a 77% de todos os casos registrados em 2024, com projeção de aumento de até 3% em relação ao ano anterior.

Quando um acidente acontece, as consequências são sérias. Mesmo com Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), o risco permanece. Segundo técnicos da área, quando ocorre um corte, o trabalhador precisa ser levado a uma unidade de saúde para iniciar protocolo de profilaxia contra HIV e hepatites — "um processo pesado, tanto físico quanto emocional".

A legislação brasileira é clara sobre o que deve ser feito. De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), resíduos de serviços de saúde — incluindo agulhas e seringas — devem ser separados e acondicionados em locais específicos. Os materiais perfurocortantes precisam ser armazenados em caixas coletoras rígidas, conhecidas como "descarpack", jamais em sacolas plásticas junto ao lixo comum.

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A responsabilidade pelo descarte correto alcança não apenas hospitais e clínicas, mas também consultórios odontológicos, farmácias e domicílios de pacientes que fazem uso de medicamentos injetáveis. Quando o recipiente estiver cheio, ele deve ser levado a um ponto de coleta de resíduos de saúde. Muitos hospitais, unidades básicas de saúde e farmácias aceitam esse tipo de descarte.

O descarte irregular de resíduos sólidos em vias públicas é proibido pela legislação municipal e pode configurar crime ambiental, conforme previsto na Lei Federal nº 9.605/1998. Mesmo assim, a prática persiste, e são os garis que pagam o preço mais alto por essa negligência.

Os trabalhadores da limpeza urbana de Salvador reforçam que cumprem um serviço essencial para manter a cidade funcionando. O pedido que fazem é simples: que cada pessoa pense, antes de jogar qualquer resíduo no lixo doméstico, no ser humano que vai colocar as mãos naquele saco.

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