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Política

Tremores, fumaça e risco à escola: vereadora aciona prefeitura de Salvador contra obra em Ondina

Comunidade do bairro relata vibrações que assustam moradores, poluição do ar e ruído que paralisa atividades em creche-escola vizinha à construção de prédio de 17 andares.

Redação ChicoSabeTudo
14 de junho, 2026 · 18:36 2 min de leitura
Canteiro de obras com equipamento de bate-estaca em área urbana residencial de Salvador
Canteiro de obras com equipamento de bate-estaca em área urbana residencial de Salvador

Moradores do bairro de Ondina, em Salvador, estão em alerta desde que as obras de um edifício residencial de 17 andares começaram na Rua Baependi. As queixas acumuladas pela vizinhança chegaram à Câmara Municipal e motivaram a vereadora Aladilce Souza (PCdoB) a protocolar um ofício formal cobrando providências urgentes dos órgãos municipais competentes.

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A construtora responsável pelo empreendimento é a Pacto Engenharia. Segundo informações divulgadas pelo jornal A Tarde, os equipamentos de bate-estaca utilizados no canteiro provocam vibrações intensas, descritas pelos próprios moradores como "tremores de terra". O receio é que as fundações dos imóveis ao redor estejam sendo comprometidas.

Além dos tremores, a vizinhança denuncia uma crise de poluição atmosférica. De acordo com o documento encaminhado pela parlamentar à administração municipal, o maquinário pesado expele fumaça densa com forte odor, em indício de possível queima irregular de óleo diesel ou falta de manutenção dos equipamentos. O problema atinge diretamente uma creche-escola localizada nas proximidades do canteiro.

O ruído gerado pela obra também é alvo de denúncia. Classificado como "insuportável" pelos moradores, o barulho prejudica o sossego público e, segundo as queixas, compromete as atividades pedagógicas da escola infantil. A vereadora questiona ainda se foram adotadas medidas para proteger alunos e funcionários da unidade durante o período das obras.

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No campo urbanístico, Aladilce Souza levanta dúvidas sobre a viabilidade técnica e legal de erguer uma torre de 17 andares em uma via com as dimensões da Rua Baependi. O ofício aponta para o impacto que o empreendimento pode gerar no tráfego e na infraestrutura local a longo prazo.

A parlamentar requisitou cópia integral do processo de licenciamento ambiental e urbanístico da obra, incluindo o alvará de construção, a licença ambiental, o Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV) e o laudo de vistoria cautelar das edificações vizinhas. Esses documentos são exigidos para verificar se todos os trâmites legais foram seguidos antes do início da construção.

Outro ponto técnico contestado pela vereadora é a escolha do método de fundação. O ofício indaga por que não foi exigido o uso de hélice contínua, tecnologia reconhecida por ser menos invasiva e por reduzir significativamente ruídos e trepidações em comparação ao bate-estaca convencional. A parlamentar também cobra a realização de medições de decibéis e de emissão de gases pela fiscalização municipal.

A ação da vereadora tem respaldo nas prerrogativas de fiscalização do Legislativo previstas na Lei Orgânica do Município e na Lei Federal de Acesso à Informação (nº 12.527/2011). Aladilce Souza, que está em seu quinto mandato na Câmara de Salvador, tem histórico de cobranças formais à administração municipal em temas que envolvem obras, contratos e impacto sobre a população. A reportagem original procurou a Pacto Engenharia e as pastas municipais citadas no ofício, mas ainda aguardava resposta até o momento da publicação.

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