Mais de uma semana depois da morte do comerciante Leonardo Gil Lima, de 33 anos, conhecido como Léo Lanches, moradores do bairro de São Cristóvão, em Salvador, voltaram às ruas neste sábado (1º) para exigir respostas do poder público. O protesto percorreu a comunidade e chegou à Avenida Paralela, gerando congestionamento na via.
Segundo informações divulgadas pela Bahia Notícias, a manifestação ocorreu justamente no dia em que o governador Jerônimo Rodrigues participava da convenção estadual do PT no Parque de Exposições Agropecuárias de Salvador — evento que também contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Na manhã deste sábado, familiares, amigos e moradores de São Cristóvão voltaram às ruas em uma caminhada de protesto. O ato teve concentração às 8h na lanchonete do comerciante, na Rua Lauro de Freitas, e percorreu a comunidade da Lessa Ribeiro.
Leonardo Gil Lima, de 33 anos, morreu na noite de 23 de julho durante uma ação da Polícia Militar no bairro de São Cristóvão, em Salvador. Segundo informações iniciais, policiais militares chegaram ao local efetuando disparos, e um dos tiros acabou atingindo a cabeça de Léo. Ele chegou a ser socorrido e encaminhado ao Hospital Geral Menandro de Faria, mas não resistiu aos ferimentos.
Trabalhador conhecido na comunidade, Léo havia realizado recentemente o sonho de abrir sua própria lanchonete e, segundo familiares e moradores, sustentava a esposa e dois filhos trabalhando diariamente. O vendedor foi morto seis dias depois de inaugurar seu ponto comercial fixo no bairro.
Familiares e moradores contestam a versão da PM, afirmando que Léo foi baleado quando chegava em casa após o trabalho, que não estava armado e que não possuía envolvimento com a criminalidade. A Polícia Militar, por sua vez, informou que equipes da 49ª CIPM realizavam patrulhamento no bairro quando identificaram disparos de arma de fogo provenientes de uma área com registros recorrentes de conflitos entre grupos criminosos.
A PM informou ainda que as equipes empregadas na ocorrência utilizavam câmeras corporais operacionais. As imagens serão encaminhadas às autoridades competentes e integrarão os procedimentos de apuração, juntamente com os demais elementos técnicos produzidos.
Na noite de sexta-feira (31), os secretários de Segurança Pública, Marcelo Werner, e de Justiça e Direitos Humanos, Felipe Freitas, se reuniram com familiares, amigos e advogados de Leonardo Gil Lima. O encontro aconteceu no Centro de Operações e Inteligência (COI) e contou com a presença do comandante-geral da Polícia Militar, coronel Antônio Carlos Silva Magalhães, do diretor do DHPP, delegado Marcelo Calmon, além de representantes da Polícia Civil e da Corregedoria-Geral da SSP.
Durante a reunião, a cúpula da segurança detalhou o andamento do inquérito instaurado pelo DHPP, as providências administrativas adotadas pela Polícia Militar e estabeleceu um canal direto de comunicação entre os familiares e as forças do Estado. Na próxima semana, o Governo da Bahia, em parceria com o Núcleo de Apoio às Vítimas de Crimes Violentos do Ministério Público (MP-BA), vai elaborar um plano de acolhimento e amparo direto para os parentes de Leonardo.
Para os moradores, no entanto, promessas institucionais não bastam. A mobilização deste sábado deixou claro que a comunidade de São Cristóvão segue na rua enquanto não houver responsabilização concreta pela morte de Léo Lanches.







