O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça autorizou a Polícia Federal a rastrear o celular do senador baiano Jaques Wagner (PT-BA) por dez dias. A decisão, assinada em 23 de junho, teve o sigilo derrubado na quinta-feira (30) e integra a Operação Compliance Zero, que apura supostas fraudes e pagamentos de propina envolvendo o Banco Master.
Segundo informações confirmadas por múltiplos veículos de imprensa, a medida foi motivada após os investigadores apontarem um "risco agudo de vazamento" de informações sobre uma operação em andamento. A Polícia Federal alertou o ministro de que detalhes sigilosos podiam ter chegado ao conhecimento dos alvos antes de qualquer ação nas ruas.
Antes da deflagração da operação, Mendonça autorizou a PF a monitorar, por dez dias, a localização aproximada do celular do senador por meio das antenas das operadoras. A medida permitiu o acesso ao histórico de ligações, registros de SMS sem conteúdo, identificação dos aparelhos e conexões de internet, mas não autorizou escutas telefônicas nem acesso ao conteúdo das conversas.
O gatilho para a suspeita de vazamento foi uma coincidência que chamou atenção do relator. No dia 9 de junho de 2026, mesmo dia em que a PF protocolou os pedidos de quebra de sigilo e monitoramento, um dos investigados pediu uma audiência no gabinete de Mendonça. Na avaliação do ministro, a coincidência aumentou o risco de vazamento de informações sigilosas, o que poderia resultar na destruição de provas ou na evasão de investigados.
Além disso, o próprio senador baiano teria se reunido com Mendonça no dia 17 de junho, véspera da ida dos agentes às ruas. Wagner procurou o ministro para apresentar explicações sobre sua relação com o empresário Augusto Lima e com o banqueiro Daniel Vorcaro cerca de uma semana antes de ser alvo de uma operação da Polícia Federal.
Na operação deflagrada em 18 de junho — nona fase da Compliance Zero —, a Polícia Federal afirma haver indícios de que o senador teria recebido vantagens econômicas de gestores do Banco Master em possível troca por sua atuação parlamentar em temas de interesse da instituição. Entre os pontos investigados está a negociação para a compra de um apartamento avaliado em R$ 2,5 milhões para Wagner.
Wagner negou irregularidades. A defesa do senador ainda não se manifestou sobre os detalhes do monitoramento revelados com a derrubada do sigilo.
A investigação ainda aponta outras conexões. A perícia realizada pelos investigadores revelou mensagens obtidas durante a análise do celular de Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do banqueiro Daniel Vorcaro, tratando da organização de reuniões presenciais no gabinete parlamentar. Foram identificados ao menos dois encontros realizados em 2024, nos dias 30 de abril e 27 de agosto.
A decisão que autorizou o monitoramento integra a Operação Compliance Zero, que investiga supostas conexões do senador com o extinto Banco Master. O caso continua em tramitação no Supremo Tribunal Federal e permanece sob investigação.







