A Secretaria da Fazenda da Bahia (Sefaz-BA) formalizou as medidas para punir internamente o auditor fiscal Olavo José Gouveia Oliva, preso em maio deste ano durante a Operação Khalas. A instauração do Processo Administrativo Disciplinar (PAD) foi publicada em portaria no Diário Oficial na quinta-feira (15) e abre caminho para a demissão do servidor, que ocupava a Coordenação de Petróleo e Combustíveis (Copec) do estado.
Durante o cumprimento dos mandados da Operação Khalas, os agentes apreenderam cerca de R$ 250 mil em espécie, entre reais e moedas estrangeiras, que estavam em posse do servidor. Entre os presos estava o auditor fiscal Olavo José Gouveia Oliva, coordenador de fiscalização de petróleo e combustíveis da Sefaz-BA, apontado como um dos principais alvos da operação.
Com a abertura do PAD, os documentos da Secretaria e despachos judiciais detalharam o que as investigações atribuem ao ex-coordenador. Segundo informações divulgadas pelo Bahia Notícias, três irregularidades graves teriam sido praticadas entre 2021 e 2025.
A primeira delas é o vazamento de dados fiscais sigilosos: o auditor teria usado o próprio e-mail de trabalho para enviar informações reservadas a empresários e pessoas ligadas ao setor de combustíveis de fora do governo. A segunda irregularidade é a cobrança de propina calculada sobre o valor dos impostos que empresas do setor deviam ao Estado — em troca do dinheiro, ele atrasava ou deixava de realizar as fiscalizações tributárias. A terceira acusação é a de que, desde 2021, Olavo atuava como sócio-administrador de uma empresa privada, prática expressamente vedada pela legislação baiana a servidores públicos.
Uma delação premiada dos empresários Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como "Beto Louco", e Mohamad Hussein Mourad, apelidado de "Primo", ambos foragidos, resultou na deflagração da Operação Khalas na Bahia. Também foi presa Caroline Feitosa, apontada nas investigações como esposa de Jailson Couto Ribeiro, o Jau Ribeiro, que já havia sido alvo da Operação Primus, deflagrada em 2025 — relação que reforça a continuidade das apurações sobre o mesmo grupo investigado.
A Operação Khalas é um desdobramento das apurações decorrentes da Operação Primus, deflagrada em 16 de outubro de 2025, e visa desarticular o núcleo operacional e financeiro da organização. Segundo as investigações, o grupo criminoso é suspeito de sonegar R$ 400 milhões em impostos, além de adulterar mais de 100 milhões de litros de combustível entre 2023 e 2026.
O esquema visava ocultar a importação de insumos, como nafta e solventes químicos, que eram desviados para unidades de mistura clandestinas, conhecidas como "batedeiras". As apurações também apontam vínculos do grupo com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Além das acusações de colarinho branco, a polícia encontrou, na residência de Olavo Oliva — localizada no bairro nobre do Itaigara, em Salvador —, um revólver calibre .38 e 52 munições. Segundo informações divulgadas pelo Bahia Notícias, o servidor alegou manter a arma há dez anos para proteção pessoal. A Justiça concedeu liberdade em relação à posse da arma, mas ele permaneceu preso em razão do mandado preventivo expedido no âmbito da Operação Khalas.
A investigação é conduzida pela força-tarefa formada pelo Gaesf (MPBA), pela Inspetoria Fazendária de Inteligência e Pesquisa (Infip/Sefaz) e pelo Neccot/Draco da Polícia Civil da Bahia. Participaram da operação oito promotores de Justiça, 26 delegados de Polícia, 90 policiais civis, dois servidores do Fisco Estadual, oito servidores do MPBA e dez policiais da Companhia Independente de Polícia Fazendária (Cipfaz).







