O Ministério Público da Bahia (MP-BA) instaurou um inquérito civil para apurar suspeita de superfaturamento nas contratações artísticas do Moto Paulo Afonso 2026. Segundo informações divulgadas pelo portal Bahia Notícias, os cachês pagos ao cantor Nando Reis e à banda Raimundos somam mais de R$ 550 mil e estão no centro das investigações.
O procedimento foi aberto pela 6ª Promotoria de Justiça de Paulo Afonso, com atuação na área de Patrimônio Público e Moralidade Administrativa. A investigação mira a contratação por inexigibilidade de licitação nº 0013/2026, vinculada ao Contrato Administrativo nº 0127/2026. Figuram como investigados a Prefeitura de Paulo Afonso, liderada pelo prefeito Mário Galinho (PSD), e a Secretaria Municipal de Cultura e Esporte (Seculte).
De acordo com a fonte, o procedimento foi desencadeado por uma denúncia anônima. A última movimentação registrada no inquérito ocorreu na quarta-feira, dia 8 de julho, e o prazo previsto para a conclusão das apurações é este sábado, 11 de julho.
Os valores questionados são expressivos. Segundo o Bahia Notícias, a apresentação de Nando Reis custou R$ 420 mil aos cofres públicos municipais, enquanto a contratação da banda Raimundos saiu por R$ 130 mil. O evento, realizado nos dias 1 e 2 de maio no Balneário Abelardo Wanderley, também contou com atrações menores como Lorena, D-Rock, Jorjão, Ética, Recruta Zero e Classic Rock, com entrada gratuita na área principal.
A discrepância nos valores já havia gerado debate no legislativo municipal. Em sessão realizada em 4 de maio, o vereador da oposição Jailson Oliveira (PP) comparou o cachê pago em Paulo Afonso com contratos do mesmo artista em outras cidades brasileiras. Segundo o parlamentar, Nando Reis teria se apresentado em Arraial do Cabo (RJ) e Peruíbe (SP) por R$ 160 mil, e em Guaxupé (MG) por R$ 137,8 mil — valores muito abaixo dos R$ 420 mil desembolsados pelo município baiano.
A Prefeitura de Paulo Afonso justificou, à época do anúncio das atrações, que a aposta no rock nacional tinha como objetivo atrair um público qualificado e fortalecer o turismo local. Após a realização do evento, a gestão municipal divulgou dados positivos: segundo levantamento da própria prefeitura, 77% dos presentes eram turistas, com ticket médio de R$ 839 por visitante, gerando uma movimentação estimada em mais de R$ 13 milhões na economia da cidade.
O MP-BA tem atuado com frequência na fiscalização de contratações artísticas em municípios baianos. O órgão publicou a Nota Técnica Conjunta nº 01/2026, elaborada em conjunto com os Tribunais de Contas e Ministérios Públicos de Contas, que estabelece metodologia para verificar a razoabilidade dos cachês pagos com recursos públicos — considerando, entre outros critérios, os valores praticados pelo mesmo artista em outros contratos recentes.
A reportagem tenta contato com a Prefeitura de Paulo Afonso para obter posicionamento sobre a investigação. O espaço segue aberto para manifestação da gestão municipal e da Seculte.







