O senador Flávio Bolsonaro (PL) desembarcou em Luís Eduardo Magalhães, no oeste da Bahia, na tarde desta terça-feira (9) para participar da 20ª edição da Bahia Farm Show, a maior feira de tecnologia agrícola do Norte e Nordeste do Brasil. A visita, no entanto, teve contornos claros de campanha: foi a primeira do pré-candidato à Presidência da República ao estado desde que anunciou a disputa pelo Palácio do Planalto.
A escolha do município não foi por acaso. Luís Eduardo Magalhães é um dos principais polos do agronegócio baiano e um dos raros redutos bolsonaristas do estado. Nas eleições de 2018 e 2022, foi uma das poucas cidades baianas onde Jair Bolsonaro venceu — em 2018, o ex-presidente foi o mais votado em apenas quatro dos 417 municípios da Bahia; em 2022, repetiu o feito em apenas dois.
Diante de produtores rurais e apoiadores, Flávio foi recebido pelo prefeito Júnior Marabá (PP), que declarou apoio público à candidatura, e pelo presidente estadual do PL e pré-candidato ao Senado, João Roma. O senador aproveitou o palanque para atacar o governo federal. "Vocês carregam esse Brasil nas costas e não merecem que um presidente trate o agro como se fosse fascista, como se fosse bandido", afirmou.
O pré-candidato também fez promessas voltadas à segurança pública e usou a classificação feita pelos Estados Unidos de PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas para criticar o governo Lula. Na ocasião, Flávio também teceu críticas ao governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e prometeu "libertar cada baiano que hoje mora numa área dominada por narcoterroristas".
"Um governo federal que vai defender traficantes de PCC e Comando Vermelho fora do Brasil", declarou, acusando a gestão petista de suavizar o tratamento às facções criminosas. Flávio afirmou que pediu pessoalmente ao presidente Donald Trump que fizesse a classificação dois dias antes do anúncio oficial.
A medida, que preocupa o Palácio do Planalto, pode abrir espaço para ações mais duras dos Estados Unidos em território brasileiro — cenário que o governo Lula tentou evitar por razões diplomáticas e de soberania.
Ao encerrar o discurso, Flávio destacou o simbolismo da visita: "A Bahia é a solução do Brasil. Vamos libertar a Bahia e o Brasil", disse o senador, sinalizando que o PL enxerga o estado — quarto maior colégio eleitoral do país — como peça-chave para a construção de uma maioria conservadora no Nordeste em 2026.







