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Política

Escândalos em Alagoas viram caso federal: onde estão a polícia, o MP e a Justiça do próprio estado?

Com desvio milionário na Sesau e o delegado-geral investigado por fraude em concursos, nenhuma instituição estadual tomou qualquer medida — só os órgãos federais agem.

Redação ChicoSabeTudo
17 de junho, 2026 · 06:56 3 min de leitura
Sede da Polícia Federal em Alagoas durante operação de combate à corrupção
Sede da Polícia Federal em Alagoas durante operação de combate à corrupção

Dois escândalos de grande repercussão estão colocando Alagoas sob os holofotes nacionais. Em ambos, há um denominador comum que chama atenção: quem investiga, quem pede prisões e afastamentos, quem expede mandados — são todos órgãos federais. A Polícia Civil estadual, o Ministério Público de Alagoas e a Justiça estadual estão, até o momento, de fora.

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O primeiro caso envolve a Secretaria Estadual de Saúde (Sesau). A Polícia Federal deflagrou a Operação Estágio IV, que mira um sofisticado esquema de corrupção envolvendo contratos públicos da Sesau, com contratações emergenciais entre 2023 e 2025 que somam quase R$ 100 milhões. A ação foi resultado de investigação conjunta da PF, Controladoria-Geral da União (CGU), Receita Federal e Departamento Nacional de Auditoria do SUS.

Além dos contratos, foram identificados desvios de recursos do SUS por meio de ressarcimentos superdimensionados de consultas e procedimentos médicos que não teriam ocorrido, totalizando mais de R$ 18 milhões. Parte dos recursos desviados teria sido distribuída entre integrantes da organização por meio de transferências bancárias, saques em espécie e pagamentos indiretos, em um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial.

De acordo com a Polícia Federal, o secretário de Saúde Gustavo Pontes de Miranda é apontado como líder do esquema e chegou a ser afastado do cargo por 180 dias por determinação judicial. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), porém, decidiu suspender esse afastamento em fevereiro de 2026, permitindo que ele retornasse ao cargo. A investigação segue em andamento.

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O segundo caso é ainda mais delicado: envolve o próprio chefe da Polícia Civil de Alagoas. A investigação cita o envolvimento do delegado-geral da Polícia Civil, Gustavo Xavier do Nascimento, em uma organização criminosa estruturada — a Operação Concorrência Simulada, que combate fraudes em concursos públicos e lavagem de dinheiro.

Gustavo Xavier é investigado por suposta participação em esquema de fraudes em concursos que atuava em Alagoas, Pernambuco e Paraíba, e, segundo a PF, ocuparia posição de liderança na organização criminosa. A Justiça Federal determinou, em 30 de março de 2026, o afastamento cautelar do delegado-geral pelo prazo inicial de 60 dias. Mais recentemente, a Justiça Federal da Paraíba prorrogou esse afastamento por mais 60 dias, atendendo a pedido do MPF, que argumentou ser necessário manter a medida para evitar possíveis interferências nas investigações.

Em nenhum dos dois casos houve movimento visível das instituições estaduais. Não há notícia de inquérito aberto pela Polícia Civil de Alagoas, nem de investigação conduzida pelo Ministério Público estadual ou de medida cautelar expedida por um juiz da Justiça estadual. O próprio MPF destacou que, embora afastado do cargo de delegado-geral, Gustavo Xavier continua atuando como delegado da Polícia Civil — e essa continuidade em funções dentro da instituição é vista como um fator de risco para a investigação.

A situação não é exclusividade de Alagoas, mas o padrão ali é notório. Em outros estados, como o Rio de Janeiro — historicamente marcado por crises institucionais —, as polícias estaduais, o MP estadual e a Justiça comum atuam em casos de corrupção envolvendo autoridades locais. Em Alagoas, o cidadão que paga impostos para sustentar toda essa estrutura estadual assiste, de longe, ao trabalho ser feito por servidores federais.

A pergunta que fica sem resposta é simples: para que servem as instituições estaduais alagoanas quando o problema está dentro de casa?

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