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Política

Emissora histórica de Sergipe volta ao ar sem jornalistas e ignora cota de conteúdo regional

A Rádio Liberdade FM retomou as transmissões em Aracaju retransmitindo integralmente a programação paulistana da Band — e ninguém do setor regulatório parece ter notado.

Redação ChicoSabeTudo
18 de junho, 2026 · 04:02 2 min de leitura
Sede da Rádio Liberdade FM em Aracaju, Sergipe, com as portas fechadas
Sede da Rádio Liberdade FM em Aracaju, Sergipe, com as portas fechadas

Uma das emissoras mais antigas de Sergipe voltou a transmitir — mas o sinal que chega ao ouvinte aracajuano não é sergipano. A Rádio Liberdade FM, que saiu do ar no início de 2025 após dispensar todos os seus colaboradores, retomou as operações em 2026 retransmitindo integralmente a programação da Rádio Bandeirantes de São Paulo, sem qualquer espaço aparente para produção local.

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Fundada na década de 1950 por Albino Silva, a emissora construiu uma história relevante na comunicação sergipana. Ao longo dos anos, passou pelas mãos dos ex-prefeitos Heráclito Rollemberg e Almeida Lima, até chegar ao Grupo Torre Empreendimentos, atual proprietário da rádio. Hoje, segundo informações divulgadas pelo blog Cláudio Nunes, a sede da emissora, localizada no Edifício Paulo Figueiredo, no Centro de Aracaju, funciona lacrada e sem qualquer atividade jornalística local visível.

O retorno gerou questionamentos porque contraria o que prevê o Marco Regulatório da Comunicação. Segundo a fonte, a legislação exige que ao menos 30% da grade de uma emissora seja composta por conteúdo produzido localmente — garantindo espaço para informação regional, cultura e geração de empregos para profissionais da comunicação. No caso da Liberdade FM, nenhum desses 30% parece estar sendo cumprido.

O Sindicato dos Jornalistas de Sergipe já havia emitido nota oficial lamentando a decisão da direção da Rádio Liberdade FM de encerrar a programação local, "após décadas de contribuição ao Jornalismo e à comunicação sergipana". O Sindijor também alertou que comunicadores com mandato sindical não poderiam ser desligados por força da imunidade sindical.

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Com o retorno em 2026, o cenário não se alterou. Os jornalistas, radialistas, produtores e operadores que davam voz às demandas da população sergipana continuam sem postos de trabalho na emissora. O impacto é direto num mercado de comunicação já bastante restrito no estado.

A situação coloca em xeque a atuação dos órgãos reguladores. A partir de convênio celebrado com o Ministério das Comunicações, em agosto de 2011, a Anatel passou a fiscalizar e instruir processos de apuração de infração relativos ao conteúdo da programação veiculada. Os aspectos fiscalizados incluem o conteúdo da programação transmitida e a adequação às finalidades educativas, informativas e culturais dos serviços de radiodifusão. Ainda assim, nenhuma ação pública foi identificada em relação à Liberdade FM.

A Constituição Federal também é clara: a produção e a programação das emissoras de rádio e televisão devem atender a princípios como a promoção da cultura nacional e regional e o estímulo à produção independente, além da regionalização da produção cultural, artística e jornalística, conforme percentuais estabelecidos em lei. Uma emissora que retransmite integralmente o sinal de outro estado contradiz diretamente esses princípios.

Permanecem sem resposta pública as perguntas mais básicas: onde estão os programas produzidos em Sergipe? Onde estão os trabalhadores da comunicação local? E onde estão Anatel e Ministério das Comunicações para fiscalizar o cumprimento da concessão? O silêncio dos órgãos reguladores é, por si só, uma resposta.

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