O trabalhador de Paulo Afonso, no Nordeste da Bahia, que recebe um salário mínimo de R$ 1.621, sente no bolso o peso da alta nos preços de alimentos básicos. Um levantamento sobre o custo de vida na cidade mostra que a cesta básica consome, em média, 52,02% do salário mínimo líquido — o equivalente a 105 horas e 51 minutos de trabalho por mês só para garantir a comida em casa.
O maior vilão do orçamento é o almoço tradicional do pauloafonsino: arroz, feijão, carne e farinha de mandioca. Esse conjunto de itens responde por 38,84% de todo o valor da cesta básica. Os preços da carne bovina, do feijão carioca, do arroz e do óleo de soja sobem de forma constante, puxados por fatores climáticos e pelos custos de transporte de mercadorias até o interior da Bahia.
A situação segue o mesmo movimento observado em todo o país. Segundo o Dieese, o custo da cesta básica subiu em 17 das 27 capitais brasileiras em junho de 2026, e o feijão foi o principal responsável pela alta, puxado pela redução da área plantada e por problemas climáticos nas safras. No mesmo mês, o órgão calculou que o salário mínimo necessário para sustentar uma família de quatro pessoas deveria ser de R$ 8.110,92 — cinco vezes o valor pago hoje aos trabalhadores.
Depois da comida, a moradia é o segundo maior peso no orçamento das famílias de Paulo Afonso. Quem mora de aluguel em bairros fora do centro paga, em média, R$ 450 por mês por uma casa simples de um quarto, o que compromete entre 25% e 35% do salário mínimo. As altas temperaturas do semiárido também aumentam a conta de energia elétrica, com o uso constante de ventilador e ar-condicionado, e a compra do botijão de gás pesa no orçamento assim que é feita.
O transporte fecha a lista dos principais gastos. Quem depende de moto ou carro sente o preço dos combustíveis, enquanto quem usa ônibus ou mototáxi todos os dias pode comprometer mais de 10% da renda mensal só para ir e voltar do trabalho.
Somando os três blocos — alimentação, moradia e transporte —, o trabalhador pauloafonsino gasta entre 90% e mais de 100% do salário mínimo apenas com o essencial. O que sobra costuma não ser suficiente para cobrir saúde, roupas, educação e lazer, o que ajuda a explicar o endividamento de parte das famílias da região.







