O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), fez uma declaração que repercutiu entre advogados e nos bastidores de Brasília. A fala ocorreu durante sessão da Corte que tratava de investigação ligada ao caso Master, em julgamento relacionado ao ministro Alexandre de Moraes e a Daniel Vorcaro, fundador do banco.
Ao chegar ao plenário, Dino disse que estava atrasado porque estava "decretando prisão de gente". A frase surgiu em um momento de descontração com o presidente da Corte, Edson Fachin.
Segundo o relato, Dino perguntou a Fachin se ele havia visto um vídeo do humorista Fábio Porchat, publicado no último sábado (12/set), que satiriza a rotina de jornalistas com as reviravoltas do caso Master e pede trégua nas notícias fora do horário comercial. "Vossa Excelência viu o vídeo do Fábio Porchat? É um vídeo muito bom porque nós estamos parecidos. Eu cheguei atrasado porque eu estava decretando prisão de gente, porque é tanta petição, presidente", disse Dino.
Fachin respondeu que também não teve tempo de assistir ao vídeo, pois estava analisando os ofícios recebidos pela Corte. "Eu não tive tempo, eu estou vendo os ofícios que chegaram e eles são hemorrágicos", afirmou o presidente do STF.
A declaração de Dino chamou atenção porque o ministro é relator de diversos inquéritos sensíveis. Um deles é a investigação sobre o filme "Dark Horse", que trata da vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. Dino também relata o caso de desvios de emendas parlamentares, um dos inquéritos contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, por suspeita de tráfico de influência, e o Caso dos Respiradores do Consórcio Nordeste, sobre compras de equipamentos de saúde durante a pandemia.
Na semana anterior à fala, a Polícia Federal havia cumprido mandados contra o deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP), aliado do ministro André Mendonça e da bancada evangélica. A ação, batizada de Operação Transparência, teve quatro mandados de busca e apreensão cumpridos no Distrito Federal e em São Paulo, a mando de Dino. O caso apura suspeitas de exploração de prestígio e tráfico de influência.
Diante do histórico de casos sob relatoria de Dino, a fala sobre prisões durante a sessão repercutiu justamente por envolver processos de grande repercussão que ainda tramitam na Corte.







