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Política

Eleição em Alagoas vira corrida sem freios: campanha antecipada já domina as ruas e as redes

Com cerca de 200 representações no TRE-AL e candidatos que preferem pagar multa a parar, a disputa de 2026 no estado vizinho da Bahia se tornou um laboratório de desobediência eleitoral.

Redação ChicoSabeTudo
16 de junho, 2026 · 06:35 3 min de leitura
Sede do TRE-AL, Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas, em Maceió
Sede do TRE-AL, Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas, em Maceió

A eleição de 2026 em Alagoas ainda não começou oficialmente, mas já virou uma das mais acaloradas do país. Desde que o então prefeito de Maceió, João Henrique Caldas, o JHC (PSDB), anunciou em 4 de abril que deixava o cargo para disputar as eleições de 2026, a corrida eleitoral no estado saiu dos bastidores e tomou as ruas de vez.

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A renúncia de JHC foi o estopim. A transição de partido também marcou seus últimos dias à frente da prefeitura: ele saiu do PL, onde era presidente estadual, e ingressou no PSDB. Caso opte por disputar o governo de Alagoas, JHC deve enfrentar o ex-ministro dos Transportes Renan Filho (MDB). A partir daí, os dois campos passaram a se enfrentar abertamente — dentro e fora do limite da lei.

Segundo informações divulgadas pelo portal Cada Minuto, camisas, bonés, adesivos, plotagem de carros, sorteio de Pix e vídeos com populares declarando apoio em eventos circulam livremente nas redes sociais. O raciocínio que circula nos bastidores é simples e revelador: "se o outro lado faz, vamos fazer também".

A Justiça Eleitoral tem reagido, mas a velocidade das infrações supera a dos processos. O Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL) determinou a remoção de conteúdos publicados em redes sociais por identificar indícios de propaganda eleitoral antecipada irregular relacionada às Eleições 2026. Além de determinar a retirada das postagens em até 24 horas, sob pena de multa diária de R$ 5 mil, o TRE-AL ordenou que a plataforma Meta preserve e forneça os dados cadastrais e registros de acesso vinculados aos perfis responsáveis.

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Entre os casos mais graves, uma publicação utilizava uma imagem de JHC manipulada por inteligência artificial, com aparência deformada e acompanhada das expressões "Maceió está em crise" e "Calote, por toda Alagoas". Para o relator, há indícios de propaganda eleitoral antecipada negativa e de uso irregular de recursos digitais para degradar a imagem do pré-candidato, sendo que a liberdade de expressão protege críticas e debates políticos, mas não ampara conteúdos destinados à ridicularização de agentes públicos.

Em outro caso, o TRE-AL determinou a retirada de uma publicação que utilizava imagem produzida por inteligência artificial para associar lideranças políticas do MDB a um influenciador digital preso em operação policial. A queda de braço, segundo a reportagem do Cada Minuto, ocorre principalmente entre o MDB e a federação PSDB/Cidadania — os dois blocos com mais músculo político e financeiro no estado.

De acordo com informações do portal Cada Minuto, cerca de 200 representações por propaganda antecipada já deram entrada no TRE-AL. Bons advogados orientam as campanhas e tentam conter os excessos, mas poucos candidatos têm seguido o conselho. O custo das infrações, quando há condenação, costuma se resumir a multas — punição que muitos preferem enfrentar a interromper a campanha.

O risco ignorado é mais sério do que parece. Especialistas alertam que várias multas e condenações sucessivas podem ser interpretadas pela Justiça Eleitoral como abuso de poder, com consequências que vão muito além de uma sanção financeira — incluindo a cassação de registro ou diploma.

Enquanto isso, o dinheiro flui. Segundo a reportagem original, nem candidatos a deputado estadual nem candidatos a vaga na Câmara Federal demonstram qualquer contenção nos gastos. Nos bastidores, o nome já está dado: a "alegre eleição do Vale Tudo".

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