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Política

Denúncia ao MP-BA aponta guincho alugado por R$ 8,5 mil mensais que ficou mais de três anos sem ser abastecido em Madre de Deus

Representação encaminhada ao Ministério Público aponta pagamento recorrente por serviço não comprovado e rede societária ligando empresa contratada ao secretário municipal de Governo.

Redação ChicoSabeTudo
18 de junho, 2026 · 12:27 3 min de leitura
Caminhão guincho parado sem uso, representando veículo alugado com dinheiro público sem comprovação de serviço em Madre de Deus (BA)
Caminhão guincho parado sem uso, representando veículo alugado com dinheiro público sem comprovação de serviço em Madre de Deus (BA)

Uma denúncia formal protocolada junto ao Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) pede a investigação de um suposto esquema de desvio de recursos públicos, favorecimento pessoal e fraude à licitação na Prefeitura de Madre de Deus, município da Região Metropolitana de Salvador, na gestão do prefeito Dailton Filho (PSB).

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A prefeitura pagou mensalmente R$ 8.500,00 durante mais de três anos por um caminhão guincho que, segundo os registros oficiais do Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia (TCM-BA), não foi abastecido nenhuma vez no período. A denúncia tem como base os dados de consumo de combustível do veículo obtidos diretamente pela Ouvidoria do TCM-BA.

O contrato foi celebrado entre o município e a empresa VLQ Comércio e Serviços Ltda, com objeto de locação de veículo especial do tipo "guincho", sem motorista e sem combustível, pelo custo mensal de R$ 8.500,00. O contrato, que começou com vigência de doze meses, foi renovado três vezes consecutivas e chegou a maio de 2026. Ao longo da vigência, a gestão acumulou ao menos 27 processos de pagamento — apesar de os registros de consumo de combustível apontarem que o veículo ficou parado de maio de 2022 a setembro de 2025.

Mesmo sem qualquer registro de abastecimento no sistema oficial de controle de frotas nesse intervalo de mais de 36 meses, a administração municipal assinou, em abril de 2024, um termo aditivo atestando formalmente que os serviços vinham sendo prestados "de maneira satisfatória", segundo informações divulgadas pelo portal A Tarde.

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A representação também detalha uma teia de conexões societárias. Quando os dois sócios da empresa GUEMAG Transportes Técnicos Ltda. deixaram a sociedade em dezembro de 2021, quem assumiu o posto de sócio-administrador foi Thilas Emanuel dos Santos Souza. O problema é que Thilas, durante todo o período de vigência do contrato do guincho, constava também nas folhas de pagamento da Prefeitura Municipal de Madre de Deus — ou seja, a mesma pessoa que administrava a empresa era, ao mesmo tempo, servidor público do município que contratou a empresa representada por um desses ex-sócios.

Há ainda outra empresa no mapa societário: a Solucionar Serviços Administrativos Limitada, registrada em Florianópolis (SC). O secretário municipal de Governo, Sérgio Vagner Gandarela Guedes, é sócio da empresa desde julho de 2021 — e não está sozinho: também figuram como sócias, desde a mesma data, Mirela Moura Alves e Fabiana da Silva dos Santos, ambas com registro ativo nas folhas de pagamento da Prefeitura de Madre de Deus durante o período do contrato.

A irmã do secretário Sérgio Vagner, Elaine Cristina Gandarela Guedes, também é sócia da Solucionar desde julho de 2021 e mantém com a Prefeitura de Madre de Deus o Contrato nº 049/2025, pelo qual o município aluga um imóvel de sua propriedade por R$ 16.500,00 mensais — contrato que já foi objeto de denúncia anterior ao TCM-BA.

A representação ao MP-BA aponta ainda vícios formais no processo licitatório. Na Carta Convite nº 002/2022, a planilha de julgamento da Comissão de Licitação registrou que a VLQ apresentou a menor proposta (R$ 102.000,00), mas o parecer conclusivo declarou outra empresa como vencedora. Segundo a fonte original, a contradição foi corrigida em atos posteriores, mas a inconsistência documental permanece como indício de manipulação.

O caso não é o primeiro envolvendo a gestão do prefeito Dailton Filho. A Operação Xeque-Mate, deflagrada pelo MP-BA em dezembro de 2025, investigou fraudes em licitações, desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e corrupção envolvendo agentes políticos do município; ao todo, a Unai e o Gaeco cumpriram 16 mandados de busca e apreensão em endereços de Madre de Deus, São Francisco do Conde, Senhor do Bonfim, Salvador e Lauro de Freitas.

Entre 2021 e 2023, mais de R$ 4,5 milhões foram movimentados de forma fraudulenta, segundo as investigações. À época, o prefeito Dailton Filho destacou que acompanha com responsabilidade o andamento das investigações e reforçou que qualquer conduta que viole os princípios da administração pública deve ser apurada com rigor, acrescentando que a Prefeitura não compactua com irregularidades e mantém medidas contínuas de controle interno. A reportagem do portal A Tarde, que deu origem à nova denúncia, afirma que a Prefeitura de Madre de Deus não respondeu aos questionamentos enviados.

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