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Com saída confirmada de uma deputada, bancada feminina de Alagoas corre risco de encolher nas eleições 2026

A Assembleia Legislativa de Alagoas tem hoje o maior número de mulheres de sua história — seis —, mas já há sinal vermelho aceso: uma das cadeiras deve passar para as mãos de um homem ainda antes de outubro.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Política
01 de junho, 2026 · 06:48 3 min de leitura
Portal ChicoSabeTudo
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A Assembleia Legislativa de Alagoas ostenta, na atual legislatura, o maior número de mulheres desde que o parlamento alagoano foi fundado. São seis deputadas em exercício: Fátima Canuto, Cibele Moura, Rose Davino, Gabi Gonçalves, Carla Dantas e Flávia Cavalcante. Um número que, no contexto de 27 parlamentares, representa menos de um quarto das cadeiras — e que pode ficar ainda menor após as eleições de outubro de 2026.

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O primeiro sinal de alerta já é concreto. Segundo informações divulgadas pelo portal Cada Minuto, Flávia Cavalcante deve deixar a política, ao menos temporariamente, abrindo caminho para que o pai dela, Cícero Cavalcante, assuma o assento na Casa de Tavares Bastos. Com isso, ainda antes do pleito, a bancada feminina já pode perder uma integrante.

Desde 1934, quando Lily Lages foi eleita a primeira deputada estadual de Alagoas, a Assembleia Legislativa chegou à atual legislatura com a marca histórica de seis deputadas eleitas. Ao longo de toda a história política alagoana, apenas 19 mulheres conseguiram uma vaga no parlamento estadual. O recorde, portanto, é frágil — e pode durar apenas uma legislatura.

A esperança de manutenção ou até ampliação da bancada descansa sobre nomes que ainda precisam confirmar candidatura. Segundo o Cada Minuto, uma das apostas é Teca Nelma, vereadora em Maceió conhecida por seu discurso em defesa dos direitos das mulheres. A jovem vereadora Teca Nelma, do PT, tem marcado presença no debate sobre representação feminina na política local. Outra cotada é Ângela Garrote, parlamentar com experiência na Casa e histórico de atuação voltado para políticas de proteção às mulheres.

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O cenário de sub-representação não é exclusivo de Alagoas. Apesar de representarem 53% do eleitorado brasileiro, as mulheres ainda são minoria nos cargos eletivos; nas eleições entre 2018 e 2024, a média de candidaturas femininas foi de 34%, sendo apenas 17% de eleitas. Os dados colocam o Brasil na 139ª posição em ranking internacional sobre mulheres no parlamento, entre 184 países.

Em Alagoas, o quadro é ainda mais restrito. Das 58 mil vagas de vereadores nas cidades brasileiras, apenas 18,1% são ocupadas por mulheres. Em Alagoas, o percentual é menor ainda: 145 mulheres entre 1.090 vereadores eleitos, o que representa 13,3% do total.

Para as eleições de 2026, o Tribunal Superior Eleitoral atualizou regras de financiamento voltadas à proteção das candidatas. Os partidos políticos poderão utilizar recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha para custear serviços de segurança das candidatas, quando houver risco decorrente da atividade política. Mas as regras formais, por si só, não garantem cadeiras: as candidatas lidam com dificuldades maiores de acesso a financiamento, redes de apoio e visibilidade, além de serem alvos mais frequentes de ataques e campanhas de desinformação.

A bancada feminina da AL-AL tem atuado de forma articulada mesmo sendo numericamente pequena. A Frente Parlamentar Feminina é composta pelas deputadas Fátima Canuto, Carla Dantas, Cibele Moura, Flávia Cavalcante, todas do MDB, além de Gabi Gonçalves e Rose Davino, ambas do PP. O grupo se mobilizou, por exemplo, em sessões especiais sobre violência de gênero e em visitas técnicas para trazer para o estado modelos de atendimento a mulheres em situação de vulnerabilidade.

O que acontecerá com essa articulação caso a bancada perca força numérica nas urnas de outubro ainda é incerto. O que se sabe é que, em quase 90 anos de história do parlamento alagoano, chegar a seis deputadas foi considerado um avanço. Manter esse patamar — ou superá-lo — já é o desafio da próxima eleição.

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