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Política

Receita Federal apreende quase 1.850 canetas emagrecedoras na Bahia desde 2024; Mounjaro lidera confiscos

Dados obtidos via Lei de Acesso à Informação revelam que os confiscos no estado valem R$ 1,09 milhão, enquanto no Brasil as apreensões explodiram mais de mil por cento entre 2025 e 2026.

Redação ChicoSabeTudo
22 de julho, 2026 · 00:07 3 min de leitura
Canetas emagrecedoras apreendidas pela Receita Federal no Brasil
Canetas emagrecedoras apreendidas pela Receita Federal no Brasil

A Receita Federal confiscou 1.849 canetas emagrecedoras na Bahia entre 2024 e junho de 2026. Os números foram obtidos pela agência Fiquem Sabendo por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) e divulgados nesta terça-feira (21). Os dados detalham o total de unidades apreendidas por estado, o período dos confiscos e as marcas dos medicamentos envolvidos.

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No recorte nacional, o crescimento das apreensões é alarmante. As apreensões de medicamentos para emagrecimento já somam 115.647 canetas e ampolas em 2026, frente às 7.479 unidades registradas durante todo o ano de 2025. O volume representa um crescimento de 1.446,3%. Segundo os dados da fonte original, em 2023 foram apreendidas apenas 8 unidades no país inteiro.

A Bahia ocupa a 11ª posição no ranking nacional de apreensões. O Paraná lidera com folga: são 105.025 unidades confiscadas, seguido por São Paulo, com 16.845. A alta tem relação com uma rota de contrabando entre Paraguai e Brasil. As canetas emagrecedoras paraguaias se espalharam pelo país devido ao preço, à facilidade de compra e à fiscalização deficiente na fronteira.

Na Bahia, o Mounjaro — cuja fórmula tem como princípio ativo a tirzepatida — domina os confiscos. Em 2024, todas as 67 unidades apreendidas no estado eram desta marca. No ano seguinte, o Mounjaro representou 82% das 1.782 unidades confiscadas em 2025, segundo os dados divulgados pela Fiquem Sabendo. As marcas Lipoless e Retatrutida aparecem em seguida, com 151 unidades cada, também em 2025. Até junho de 2026, o estado havia confiscado mais 22 unidades — 20 de Tirzepatida e 2 de Semaglutida.

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Em valores, os quase 1.850 produtos apreendidos na Bahia nos últimos dois anos e meio somam R$ 1,094 milhão. No Brasil, o montante total das apreensões entre 2023 e o primeiro semestre de 2026 ultrapassa R$ 88,5 milhões, considerando todos os estados.

Entre os produtos apreendidos estão formulações de tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, cuja conservação exige refrigeração para manutenção da estabilidade, além de retatrutida, molécula ainda em fase experimental e sem aprovação para comercialização em qualquer país. A circulação sem controle desses produtos representa riscos diretos à saúde de quem os usa.

O aumento das apreensões acompanha uma alta nas notificações de efeitos adversos à Anvisa, que passaram de 257 em 2023 para 449 em 2024 e chegaram a 1.122 em 2025, indicando maior circulação e uso desses produtos no país.

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Em novembro do ano passado, a Anvisa publicou uma resolução proibindo a fabricação, a distribuição, a importação, a comercialização, a propaganda e o uso de alguns medicamentos importados do gênero, incluindo marcas como Lipoless e Tirzazep Royal Pharmaceuticals. Sem registro na agência, essas canetas seguem ilegais no Brasil, e comprá-las ou revendê-las configura crime.

Em abril, a Polícia Federal e a Anvisa realizaram uma operação para combater a importação irregular, a falsificação, a produção clandestina e a comercialização ilegal das chamadas canetas emagrecedoras. A ação cumpriu 45 mandados de busca e fiscalização em 12 estados. O cenário mostra que a fiscalização avança, mas o mercado clandestino desses produtos segue aquecido no Brasil.

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