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Política

Sem aparecer desde 2009: quem é a servidora de Alagoas que pode ser demitida por abandono de cargo

Jucielly Ferreira de Sena acumula mais de 17 anos longe das funções na Secretaria de Educação de Alagoas; procuradoria estadual recomendou demissão após processo administrativo disciplinar.

Redação ChicoSabeTudo
21 de julho, 2026 · 12:05 2 min de leitura
Prédio da Secretaria de Educação de Alagoas, onde servidora está vinculada há mais de 17 anos sem trabalhar
Prédio da Secretaria de Educação de Alagoas, onde servidora está vinculada há mais de 17 anos sem trabalhar

O nome que tomou conta das redes sociais nesta semana é o de Jucielly Ferreira de Sena, agente administrativa da Secretaria de Estado da Educação de Alagoas (Seduc). Ela foi identificada como a servidora que pode ser demitida após passar mais de 17 anos sem comparecer ao trabalho e é alvo de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) que concluiu pela existência de abandono de cargo.

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A recomendação de demissão foi feita pela Procuradoria-Geral do Estado (PGE) e publicada na edição de quinta-feira, 16, do Diário Oficial do Estado. Segundo o parecer, Jucielly deixou de exercer suas funções de forma contínua desde 31 de março de 2009, acumulando mais de 17 anos e três meses de ausência.

Na análise do caso, a PGE apontou que o processo reuniu elementos suficientes para comprovar tanto a ausência prolongada quanto a intenção de abandonar o cargo público — requisito jurídico conhecido como animus abandonandi. O documento também informa que a própria servidora reconheceu a situação em declaração apresentada durante a apuração.

A procuradoria concluiu ainda que o processo seguiu os princípios do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal, sem apresentar irregularidades. Com isso, o caminho para a demissão ficou aberto do ponto de vista jurídico.

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Segundo a legislação estadual, o abandono de cargo é passível de demissão, conforme prevê o artigo 140 da Lei Estadual nº 5.247/1991. Com a conclusão do parecer, a decisão foi encaminhada à Secretaria de Estado do Planejamento, Gestão e Patrimônio (Seplag), responsável pelos procedimentos administrativos para efetivar a medida.

Uma das perguntas que mais circularam na internet dizia respeito ao salário: a servidora teria recebido vencimentos durante os 17 anos de ausência? A Seduc esclareceu, em nota oficial, que Jucielly foi admitida no ano de 2000, desempenhou suas funções por apenas três meses e que o pagamento do salário foi suspenso imediatamente após o abandono do cargo, ainda no ano 2000, conforme registrado em sua ficha financeira.

A secretaria informou ainda que o processo de exoneração por abandono de cargo foi provocado de forma ativa pela própria pasta e que, embora reconheça que o trâmite burocrático e processual tenha sido demorado, não houve prejuízo financeiro ao erário durante o período.

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O caso chama a atenção pelo tempo que levou para chegar a uma conclusão administrativa. O abandono de cargo público é considerado uma falta grave que pode resultar na demissão do servidor. Para a caracterização, porém, é necessário que haja uma intenção deliberada de abandonar o trabalho — o chamado animus abandonandi. No caso de Jucielly, a própria servidora confirmou essa intenção durante o PAD.

Além da perda do emprego, a demissão por abandono de cargo traz consequências que vão além do desligamento. A pena pode gerar inelegibilidade para mandatos políticos e impedir que o servidor demitido seja nomeado em novos concursos públicos. O processo segue agora em fase de formalização junto à Seplag.

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