O senador Laércio Oliveira (PP-SE) não esperava que sua participação em um evento institucional se tornasse o assunto mais comentado de Sergipe no fim de semana. Durante a cerimônia de retomada de investimentos da Petrobras na Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados de Sergipe (Fafen), em Laranjeiras, com a presença do presidente Lula, o senador foi vaiado pelo público no momento em que começou a discursar. O episódio viralizou nas redes sociais e reacendeu um debate que muitos achavam adormecido: qual é, afinal, o lugar político de Laércio Oliveira?
No evento voltado ao anúncio de um aporte superior a R$ 72 bilhões da Petrobras em Sergipe, militantes presentes vaiaram fortemente o senador assim que seu nome foi anunciado no cerimonial, chegando a gritar "fora" para o parlamentar. A situação constrangeu a mesa e obrigou o próprio presidente a intervir.
Em reação à plateia, Lula tomou o microfone e pediu civilidade: "Pessoal, este é um ato da Petrobras, e o senador está aqui convidado pela Petrobras e pelo governo. Ele não é um intruso", disse o presidente, acrescentando que "muitas vezes precisamos conversar com gente que não combina com a gente eleitoralmente, mas é um senador da República e, portanto, merece respeito."
Mais tarde, Lula voltou ao tema afirmando que a política brasileira vive um clima de "ódio" entre adversários, e disse que o respeito entre oponentes era maior em outros períodos. Já Laércio tentou virar a chave. O senador afirmou que faz "política há 15 anos" e "nunca fui vaiado na minha vida", chegando a citar que havia deixado de participar de outro evento de Lula justamente para evitar esse tipo de situação.
Após a intervenção do presidente, Laércio retomou o discurso reforçando que sua presença ali era institucional: "Nós temos posições políticas diferentes, mas a gente não vai cessar o diálogo nunca, porque o senhor, como comandante do nosso país hoje, pensa um país do mesmo jeito que penso." A frase soou estranha a quem acompanha o histórico político do parlamentar.
Não foi a primeira vez que Laércio colheu reação hostil do público. Em 2024, o senador foi vaiado por apoiadores de Bolsonaro durante uma passagem do ex-presidente pelo estado — na ocasião, chegou a atuar na segurança do ex-presidente em meio a uma carreata, mas acabou rotulado como traidor pelos manifestantes presentes. Vaiado por um lado em 2024 e pelo outro em 2026, o senador parece ter perdido lastro nos dois campos.
O pano de fundo do episódio é uma agenda histórica para Sergipe. Lula e o governador Fábio Mitidieri assinaram investimentos estruturantes que somam mais de R$ 1,5 bilhão, incluindo a ordem de serviço da Adutora Frei Enoque — a Adutora do Leite, com R$ 618,2 milhões — e a autorização para a nova ponte entre Aracaju e Barra dos Coqueiros, estimada em R$ 838 milhões, obras que integram o Novo PAC.
Mais cedo, ainda em Laranjeiras, o presidente havia anunciado investimentos de R$ 72,5 bilhões da Petrobras no estado, com previsão de geração de 28 mil empregos diretos e indiretos. Em meio a números dessa magnitude, foi a vaia a um senador que tomou conta das conversas.
O incidente é lido por analistas como um sinal da radicalização do ambiente político nacional — e, para Laércio, pode representar o começo de um problema eleitoral de longo prazo. Laércio foi vaiado, o ambiente ferveu, e Lula teve que lembrar aos presentes que adversário político também deve ser ouvido. Nas imagens que circularam, dava para perceber o constrangimento de uns e a satisfação de outros. O recado do eleitorado, de qualquer lado, ficou dado.







