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Política

Chefe da PBio defende energia limpa com renda: óleo das baianas de acarajé vira biodiesel na Bahia

Alex Gasparetto, presidente da Petrobras Biocombustível, argumenta que mudança no modelo energético só funciona quando gera renda para quem está na base da cadeia produtiva

Redação ChicoSabeTudo
15 de junho, 2026 · 06:08 3 min de leitura
Baiana de acarajé em tabuleiro em Salvador, Bahia, com óleo de dendê usado que será destinado à produção de biodiesel
Baiana de acarajé em tabuleiro em Salvador, Bahia, com óleo de dendê usado que será destinado à produção de biodiesel

O óleo que resta nos tabuleiros das baianas de acarajé de Salvador vai deixar de ser um problema ambiental para se tornar matéria-prima de combustível renovável. Para Alex Gasparetto, presidente da Petrobras Biocombustível (PBio), essa iniciativa é a prova concreta de que a transição energética só se sustenta quando carrega junto as pessoas que mais precisam.

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Em entrevista ao jornal A Tarde, concedida após o lançamento do programa de Óleos e Gorduras Residuais (OGR), Gasparetto defendeu o que chama de "transição energética justa" — um modelo que alia redução de emissões à geração de renda para trabalhadores da reciclagem e para as baianas de acarajé. "Ele é justo porque inclui e gera renda para a população", disse o executivo.

O programa foi lançado no dia 8 de junho, na Doca 1, no bairro do Comércio, em Salvador. A Prefeitura de Salvador e a PBio formalizaram o acordo, com o prefeito Bruno Reis assinando o decreto que institui o programa e abre edital para credenciamento de cooperativas de reciclagem. O lançamento coincidiu com o Dia Mundial dos Oceanos.

O objetivo central é reduzir o descarte irregular de óleo de cozinha, fortalecer cooperativas de reciclagem e criar novas oportunidades de geração de renda para trabalhadores da cadeia da reciclagem e para as baianas de acarajé. Todo o material coletado será encaminhado para a unidade da PBio em Candeias, onde será transformado em biodiesel.

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Os números da cadeia mostram como a renda circula: as cooperativas credenciadas pagarão R$ 3 por quilo de óleo recolhido das baianas de acarajé, enquanto restaurantes e demais estabelecimentos receberão R$ 2 por quilo. Depois, as cooperativas poderão vender o produto à Petrobras Biocombustível, que atualmente paga em torno de R$ 7 por quilo, valor que varia conforme o mercado.

Atualmente, há um projeto-piloto em funcionamento atendendo cerca de 100 baianas de acarajé na cidade. Segundo a entrevista publicada pelo A Tarde, existem 1.100 baianas cadastradas na capital baiana — o programa agora mira ampliar essa base. Gasparetto revelou que, no ano passado, foram coletadas cerca de quatro toneladas de óleo pelas cooperativas, e que a expectativa é ampliar esse volume para entre 30 e 40 toneladas por mês com o novo convênio.

O combustível produzido será destinado tanto ao mercado interno quanto à exportação, e esta é a primeira iniciativa desenvolvida pela PBio em parceria direta com um município, embora a empresa já atue com cooperativas de catadores na Bahia e em Minas Gerais. Segundo a entrevista ao A Tarde, Salvador é a primeira cidade do convênio, mas o plano é replicar o modelo em outras prefeituras baianas como Pintadas, Candeias, Antônio Cardoso e Tanquinho.

A PBio opera duas usinas de biodiesel, em Montes Claros (MG) e Candeias (BA), além de estudar a reativação da unidade hibernada em Quixadá (CE). Desde 2024, a empresa passa por uma reestruturação para se tornar mais resiliente e busca maior aproximação com as iniciativas de transição energética e biorrefino da Petrobras.

Além de gerar emprego e renda para municípios do interior, a PBio é apontada como fundamental para uma transição energética justa, processo que precisará do protagonismo da Petrobras. Para Gasparetto, a combinação de treinamentos, equipamentos de proteção e investimento nas cooperativas é o caminho para que o valor chegue às mãos de quem mais precisa — das ruas de Salvador às usinas do Recôncavo Baiano.

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