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Camaçari entre a retomada e a cautela: novo ciclo industrial atrai BYD e Fafen, mas especialistas pedem paciência

Investimentos bilionários reacendem o Polo Industrial baiano, mas economistas advertem que parte do avanço é recomposição de capacidade já perdida — não expansão inédita.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Política
25 de maio, 2026 · 06:11 4 min de leitura
Portal ChicoSabeTudo
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O Polo Industrial de Camaçari voltou ao centro do debate econômico da Bahia. Depois de anos marcados pelo fechamento de fábricas e pela saída da Ford, uma sequência de investimentos de grande porte reacende o otimismo sobre o futuro do complexo industrial mais importante do estado. Mas empresários e economistas ouvidos pela reportagem do jornal A Tarde recomendam cautela: parte do que é chamado de avanço é, na prática, a recomposição de uma capacidade industrial que a Bahia já teve e perdeu.

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O símbolo mais recente dessa movimentação é a Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados da Bahia, a Fafen-BA. A Petrobras celebrou a retomada da produção de fertilizantes na Bahia durante visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à unidade, em Camaçari. Com investimento de R$ 100 milhões, a fábrica já opera com 90% de sua capacidade total e atende 5% da demanda nacional. A planta é capaz de produzir 1.300 toneladas diárias de ureia, 1.300 t/d de amônia, além de 178 t/d de Agente Redutor Líquido Automotivo (ARLA 32).

A história da Fafen, porém, ilustra bem a tensão que especialistas apontam. A fábrica havia sido desligada pela Petrobras em março de 2018, como parte do plano de desinvestimentos da estatal. As unidades foram hibernadas em 2019 e arrendadas à empresa privada Unigel. As plantas permaneceram sob operação da companhia até 2023, quando tiveram as atividades suspensas sob a justificativa de inviabilidade econômica relacionada ao preço do gás natural. Após acordo firmado com a Unigel, a estatal reassumiu as unidades em 2025, e a unidade baiana voltou a funcionar em janeiro de 2026.

Para o gerente do Observatório da Indústria da Federação das Indústrias da Bahia (Fieb), Ricardo Menezes Kawabe, ouvido pela reportagem de A Tarde, é exatamente esse ponto que merece atenção. O economista reconhece os sinais positivos, mas alerta que parte do que hoje aparece como novidade representa, na prática, a recuperação de capacidades que a Bahia já possuía desde os anos 1970. O mesmo raciocínio se aplica, segundo ele, à chegada da BYD: a montadora chinesa vem ocupar um espaço que pertencia à Ford, com a vantagem de estar inserida num mercado em expansão — o de veículos elétricos.

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A BYD é, de fato, o investimento que mais chamou atenção. Lula participou da inauguração da fábrica da montadora chinesa no Polo Industrial de Camaçari, ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin, do ministro da Casa Civil Rui Costa, do governador Jerônimo Rodrigues e do presidente global da companhia, Wang Chuanfu. Com previsão de dez mil empregos diretos e indiretos, a unidade integra três fábricas: uma de automóveis elétricos, outra de chassis de ônibus e uma de baterias de lítio ferro-fosfato. Desde a inauguração oficial, a planta já alcançou uma produção acumulada próxima de 18 mil veículos, consolidando-se como um dos principais polos da montadora chinesa fora da Ásia.

Segundo dados apresentados pelo governo, o Brasil importa atualmente cerca de 85% dos fertilizantes que consome. A Fafen se encaixa diretamente nessa equação de soberania agrícola. A reativação da planta faz parte do Plano Nacional de Fertilizantes (PNF), estratégia do governo federal, sob coordenação da Petrobras, para ampliar a produção nacional de insumos agrícolas e reduzir a dependência do mercado externo.

Além da Fafen e da BYD, o Polo recebeu ainda, em abril de 2025, segundo informações do jornal A Tarde, a inauguração de uma fábrica da Unipar com energia 100% renovável, com capacidade para produzir anualmente 20 mil toneladas de cloro e 22 mil toneladas de soda cáustica, entre outros produtos voltados ao saneamento básico e à higiene. O conjunto de movimentos dá ao complexo industrial uma feição mais diversificada, menos dependente do setor petroquímico, que ainda enfrenta dificuldades globais.

Para o superintendente do Comitê de Fomento Industrial de Camaçari (Cofic), Aurinézio Calheira, ouvido pela mesma reportagem, o cenário macroeconômico segue desafiador — com tensões geopolíticas globais e ciclos de baixa nos setores químico e petroquímico —, mas a chegada de novos empreendimentos confirma a resiliência do Polo. Hoje, conforme dados divulgados por A Tarde, o complexo reúne mais de 80 empresas em operação, gera mais de 50 mil empregos e contribui com uma arrecadação superior a R$ 4 bilhões por ano em ICMS para o estado da Bahia. O desafio, agora, é transformar esse conjunto de retomadas e novos investimentos em um ciclo de crescimento que vá além da recomposição do que foi perdido.

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