O governo da Bahia deu o primeiro passo formal para a recuperação da Casa do Samba de Santo Amaro. O Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), autarquia vinculada à Secretaria de Cultura (SecultBA), publicou no Diário Oficial do Estado a contratação do escritório Land5 Arquitetura e Urbanismo Ltda para elaborar o projeto executivo de requalificação do Centro Cultural da Casa do Samba, no Recôncavo Baiano.
O contrato foi assinado na quarta-feira (8) pelo diretor-geral do IPAC, Marcelo Ferreira Lemos Filho, e pelo representante do escritório contratado, João Paulo Zappelini. Segundo informações divulgadas pelo Bahia Notícias, o valor acordado é de R$ 251 mil, com prazo de até 9 meses para entrega do projeto inicial de reforma.
O espaço em questão é o Solar do Conde de Subaé, edifício tombado localizado em Santo Amaro, Bahia. Acredita-se que a construção original data de 1820, e o imóvel ganhou um segundo pavimento em 1859, quando o filho do proprietário ampliou a residência para receber o Imperador D. Pedro II. O casarão foi tombado pelo IPHAN em 30 de janeiro de 1979.
Inaugurado pelo Iphan em setembro de 2007, o espaço tem a missão de preservar o samba de roda — uma das principais matrizes do samba brasileiro, registrado como patrimônio cultural imaterial pelo Iphan em 2004. Essa manifestação cultural foi ainda declarada patrimônio imaterial da humanidade em 2005.
A necessidade de reforma acumulou-se ao longo dos anos por falta de manutenção. Em 26 de abril de 2020, parte da sacada da Casa do Samba desabou, comprometendo as condições de habitabilidade do prédio. Em janeiro de 2023, movimentos culturais realizaram a ocupação artística "Samba em Ruínas" durante a Lavagem da Purificação, denunciando o descaso do poder público com o patrimônio.
O contrato firmado pelo IPAC cobre apenas a etapa de elaboração do projeto arquitetônico. Segundo informações divulgadas pelo Bahia Notícias, o documento não fixa data final para aprovação do projeto. Somente após essa aprovação é que o Estado poderá abrir nova licitação para contratar a empreiteira responsável pelas obras físicas.
Por se tratar de imóvel tombado pelo Iphan dentro do centro histórico de Santo Amaro — área protegida nacionalmente —, qualquer intervenção no Solar do Conde de Subaé exige acompanhamento e anuência do instituto federal, mesmo que o financiamento seja estadual. A Casa do Samba tem por finalidade a preservação da memória do samba de roda, ritmo musical símbolo de Santo Amaro e do Recôncavo Baiano, e uma das grandes contribuições afrodescendentes à cultura brasileira.
A gestão do local é da Associação dos Sambadores e Sambadeiras da Bahia (ASSEBA), que está sediada na própria Casa do Samba. No espaço, são desenvolvidos projetos de pesquisa, extensão e produção cultural, além de cursos e oficinas nas áreas de gestão, produção cultural, artes cênicas e musicais, entre outros. Com a contratação do escritório de arquitetura, o processo de recuperação do casarão bicentenário ganha, ao menos, um prazo concreto para sua primeira etapa.







