A Prefeitura de Aracaju se pronunciou publicamente sobre um conjunto de denúncias que atingiram a Secretaria Municipal da Educação (Semed) nas últimas semanas. Em nota oficial, a gestão da prefeita Emília Corrêa (Republicanos) afirmou que adotou, de forma imediata, todas as medidas administrativas cabíveis após tomar conhecimento dos fatos.
O episódio mais grave ocorreu no dia 23 de junho. A Polícia Civil de Sergipe apreendeu cerca de R$ 240 mil em espécie que estavam em posse de um servidor comissionado da Secretaria Municipal da Educação de Aracaju, durante uma operação que investiga um suposto esquema de corrupção envolvendo recursos públicos da Prefeitura da capital.
O servidor identificado é César Costa Azevedo Dias, diretor de Administração e Finanças da pasta, que foi conduzido às autoridades policiais após a ação. Na ocasião da apreensão, a Polícia Civil informou que o investigado não apresentou justificativas consideradas suficientes para comprovar a origem do dinheiro. Diante disso, foi instaurado um inquérito para aprofundar as investigações, identificar a procedência dos recursos e apurar a possível participação de outras pessoas no caso.
As investigações apontam para duas linhas de apuração: a primeira envolve suspeitas de contratos superfaturados entre empresas e a Prefeitura de Aracaju, com possível retorno de parte dos valores a agentes públicos; a segunda apura a suposta cobrança de propina de empresários para a liberação de pagamentos referentes a contratos já executados.
O servidor foi exonerado do cargo, com a informação publicada no Diário Oficial do município no dia 30 de junho. A prefeita Emília Corrêa afirmou que a exoneração foi motivada pela necessidade de preservar a gestão municipal e reforçou que não tolerará qualquer suspeita envolvendo recursos públicos. Segundo Emília, a decisão de exonerar não foi motivada por novos elementos da investigação, mas pela falta de comprovação da origem do dinheiro que havia sido prometida pelo servidor.
A defesa de César Dias informou que apresentará documentos para comprovar a origem lícita dos valores apreendidos e destacou que o processo deve respeitar o devido processo legal, o contraditório, a ampla defesa e a garantia constitucional da presunção de inocência.
O caso chama atenção pelo fato de a Secretaria Municipal da Educação ser comandada por Edna Quitéria do Amorim Costa, irmã do pré-candidato ao Senado Eduardo Amorim. Até o momento, não há manifestação oficial das autoridades estabelecendo qualquer vínculo entre o dinheiro apreendido e atividades eleitorais ou de campanha.
Além do caso dos R$ 240 mil, outras irregularidades investigadas envolvem a administração municipal. Segundo informações divulgadas pelo portal BNews, um servidor recebeu cerca de R$ 26 mil em diárias para uma viagem oficial a Taiwan, mas não apresentou documentação que comprovasse a realização do deslocamento. Outra apuração trata do suposto uso irregular de cartão corporativo da Secretaria Municipal da Assistência Social por um ex-servidor já desligado do cargo.
Em nota, a Prefeitura de Aracaju afirmou que todos os processos de contratação observam os procedimentos previstos na legislação, com critérios técnicos e jurídicos, e que continuará adotando as medidas administrativas necessárias "sempre com base em informações oficiais, no respeito ao devido processo legal e à ampla defesa".
A sucessão de episódios acendeu o sinal de alerta nos bastidores da Prefeitura. À frente de uma das pastas mais estratégicas da administração municipal — com orçamento previsto de R$ 766,5 milhões para 2026 —, a secretária Edna Amorim acumula situações que colocam a Semed no centro do maior desgaste enfrentado até aqui pela gestão. As investigações continuam sob responsabilidade dos órgãos policiais e judiciais competentes.







