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Eleições 2026 em Alagoas: fontes partidárias revelam valores astronômicos por trás das disputas

Dirigentes experientes estimam que uma vaga ao governo estadual pode mobilizar até R$ 800 milhões, enquanto o Senado chegaria a R$ 500 milhões — números que colocam o orçamento público no centro da disputa política.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Política
25 de maio, 2026 · 06:39 3 min de leitura
Portal ChicoSabeTudo
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Três experientes dirigentes partidários de Alagoas descreveram, em caráter reservado, os custos estimados das campanhas eleitorais já em andamento no estado para as eleições de outubro de 2026. Os números relatados são difíceis de acreditar — e revelam por que o orçamento público virou peça central da política brasileira.

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Segundo as mesmas fontes, ainda na capital Maceió, um suplente de vereador capaz de entregar mais de 250 votos e garantir o chamado "direito de preferência" de apoio pode receber algo em torno de R$ 300 mil, sem contar outras despesas. Três mil votos valeriam, aproximadamente, R$ 1 milhão. Os valores já impressionam na base da pirâmide eleitoral.

À medida que se sobe nos cargos, a conta cresce de forma exponencial. Uma candidatura competitiva à Assembleia Legislativa giraria em torno de R$ 30 milhões. Para uma vaga na Câmara dos Deputados, a estimativa chegaria a R$ 50 milhões — com possível desconto para quem já exerce mandato e construiu presença na base por meio de emendas parlamentares. Já a corrida ao Senado custaria cerca de R$ 500 milhões, e uma campanha ao governo estadual poderia atingir R$ 800 milhões.

Os interlocutores deixaram claro que esses valores envolvem recursos de naturezas diversas: próprios, públicos, privados, contabilizados ou não. A comparação com a histórica e milionária campanha do empresário João Lyra ao governo de Alagoas, em 2006, já não faria jus à magnitude atual — ela pareceria, nas palavras das fontes, "baratinha".

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O pano de fundo nacional ajuda a entender de onde pode vir tanto dinheiro. Para as eleições deste ano, o Fundo Eleitoral soma cerca de R$ 5 bilhões, conforme lei aprovada pelo Congresso Nacional. Além disso, o Orçamento prevê R$ 1,4 bilhão para o Fundo Partidário, voltado à manutenção das legendas. Somados, os partidos terão acesso a mais de R$ 6,3 bilhões em dinheiro público em 2026.

Mas há ainda outra torneira aberta: as emendas parlamentares. O texto da Lei Orçamentária prevê aproximadamente R$ 61 bilhões em emendas parlamentares, dos quais R$ 37,8 bilhões são destinados a emendas impositivas — aquelas que o governo é obrigado a pagar. As emendas individuais de deputados e senadores somam R$ 26,6 bilhões; as destinadas a bancadas estaduais ficaram com R$ 11,2 bilhões.

Em Alagoas, as emendas parlamentares já foram palco de conflito político aberto. A resistência do senador Renan Calheiros (MDB-AL) em atestar a legalidade das emendas apresentadas por seus conterrâneos congressistas à proposta do Orçamento da União de 2026 levou a bancada federal alagoana a apelar ao presidente da Comissão Mista de Orçamento. Sete dos nove deputados e a senadora Eudócia Caldas (PL) protocolaram pedido alertando que Alagoas não pode perder R$ 300 milhões das emendas de bancada.

Nesse contexto, uma ação do senador Renan Calheiros e do governador Paulo Dantas em Rio Largo — quando distribuíram 50 PIX de R$ 200 para mulheres — pareceria quase irrelevante diante da escala dos valores envolvidos. O episódio, porém, ilustra como práticas de distribuição de benefícios se tornaram rotina no período pré-eleitoral, já que desde 1º de janeiro a Administração Pública está proibida de distribuir gratuitamente bens, valores ou benefícios até 31 de dezembro de 2026.

O cenário alagoano reflete uma tendência nacional. O valor médio investido por deputado federal eleito em 2022 foi de R$ 1,8 milhão, representando um aumento de 40% em relação à eleição de 2018. Especialistas do Senado descrevem o modelo brasileiro como um dos mais caros do mundo. E a tendência, eleição após eleição, é de alta.

As Eleições de 2026 estão marcadas para o dia 4 de outubro, quando eleitores vão às urnas para eleger presidente da República, governadores, senadores e deputados federais, estaduais e distritais. Em Alagoas, a principal incerteza ainda é saber se a disputa pelo governo do estado terá um embate entre o ministro dos Transportes, Renan Filho, e o prefeito de Maceió, João Henrique Caldas, o JHC — os dois nomes que aparecem nas principais pesquisas de intenção de voto.

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