Um dos sócios da Green Energy Ventures, Luiz Felipe Herrmann, afirmou em entrevista ao portal BP Money que o preço cobrado pelo gás natural na Bahia é um dos pontos que podem jogar contra o estado na definição de onde a empresa vai construir uma usina termelétrica de R$ 250 milhões.
"O principal hoje, em termos de dinheiro e viabilidade do negócio, é o custo do gás", disse o executivo. Ele contou que a companhia segue analisando outros pontos dentro da área de atuação da Sudene antes de bater o martelo sobre o local do empreendimento.
Com 60 megawatts de capacidade, a usina foi contratada para começar a operar em outubro de 2028, dentro de um contrato de 15 anos ligado ao sistema elétrico nacional. De acordo com Herrmann, o formato de contratação do gás natural exige que a empresa garanta praticamente toda a capacidade de fornecimento o tempo inteiro, ainda que o uso do combustível seja pontual.
"Como eu tenho que contratá-lo 100%, mas eu só uso ele próximo de 10%, eu pago muita coisa por usar pouca coisa", afirmou, ao comparar a situação com um plano de celular contratado muito acima do que a pessoa realmente consome.
O executivo disse ainda que as simulações internas da empresa apontaram que o valor cobrado pela Bahiagás ficou cerca de três vezes maior do que a opção mais barata identificada entre os estados que integram a área da Sudene. "No caso da tarifa deles, eles estavam três vezes mais caros, até mais, um pouco, do que o mais barato", relatou.
Ao ser perguntado se esse seria o maior entrave para a escolha da Bahia, Herrmann ponderou: "Eu não diria que é o maior, mas é um, dois, com certeza". A entrevista não trouxe o volume diário de gás que seria contratado nem os valores unitários comparados entre os estados, o que impede calcular o impacto exato dessa diferença de tarifa ao longo do contrato.
Mesmo apontando essa dificuldade, o executivo também citou vantagens da Bahia para receber o projeto: a infraestrutura já disponível para escoamento de gás, a facilidade de ligação com a rede elétrica e o fato de o estado estar totalmente incluído na região de atuação da Sudene. Segundo a empresa, a obra deve gerar entre 30 e 50 empregos no auge da construção e manter de 30 a 40 profissionais na operação, que funciona 24 horas por dia.
O empreendimento faz parte do grupo de projetos contratados no Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência de 2026, que prevê contratos de 15 anos para novas usinas térmicas com fornecimento a partir de 2028.







