As festas juninas são um dos períodos mais aguardados do calendário nordestino. Junto com o forró, as fogueiras e as quadrilhas, vem também uma variedade enorme de comidas típicas — e com ela, um risco que muita gente ignora. O nutricionista David Braga, que atua no Hospital Dr. Ib Gatto Falcão, em Rio Largo (AL), orienta que a alegria da festa pode virar problema de saúde quando o prato não tem limite.
Pratos preparados com milho, amendoim, leite de coco, açúcar e outros ingredientes tradicionais são parte da identidade junina e podem, sim, ser consumidos. O problema, segundo o especialista, está no exagero. O alerta é especialmente válido para pessoas com doenças crônicas como hipertensão, diabetes e problemas cardiovasculares, já que muitos pratos tradicionais possuem alto teor de açúcar, sódio, gordura e carboidratos.
Para quem convive com diabetes, hipertensão ou dislipidemias, o exagero pode trazer descompensações imediatas. Entre os principais riscos estão episódios de diarreia, picos de glicemia, aumento dos níveis de colesterol e triglicerídeos, além do risco de ganho de peso. O nutricionista David Braga reforça que pessoas com alergias alimentares também precisam redobrar a atenção, já que ingredientes como amendoim estão presentes em diversas receitas.
A orientação não é abrir mão das guloseimas. O ideal é priorizar pequenas quantidades, evitar repetir pratos e manter a rotina alimentar o mais equilibrada possível durante o restante do dia. A hidratação, muitas vezes deixada de lado em meio à festa, também é parte essencial dos cuidados. Beber bastante água ao longo do dia ajuda o organismo a processar os alimentos com mais facilidade.
Outro ponto de atenção levantado pelo especialista é a procedência e a conservação do que se come. Em ambientes com grande circulação de pessoas, como arraiais e barracas de rua, o risco de contaminação cresce. Quando os alimentos ficam expostos por muito tempo à temperatura ambiente, ocorre aumento significativo do risco de proliferação de bactérias, fungos e outros microrganismos, podendo causar intoxicações alimentares e, em casos mais graves, desidratação e necessidade de atendimento médico.
Na Bahia, a preocupação com a segurança alimentar nos festejos também é levada a sério pelas autoridades. A Vigilância Sanitária de Salvador reforça as ações de fiscalização em locais de venda e produção dos alimentos típicos dessa época na capital baiana, uma medida que reflete a importância do controle sanitário durante o período junino em toda a região.
O cardiologista Maurício Macias alerta que o excesso de sal e álcool pode desencadear crises de pressão alta e sobrecarga cardiovascular, recomendando que hipertensos e cardiopatas mantenham o uso correto das medicações e procurem atendimento médico caso apresentem falta de ar, dor no peito ou tontura. A recomendação vale para qualquer pessoa que sinta mal-estar durante ou após os festejos.
Para aproveitar o São João com mais saúde, as orientações são simples: não pule refeições para tentar compensar os excessos depois, prefira alimentos preparados recentemente e em locais com boas condições de higiene, evite o consumo excessivo de bebidas alcoólicas e, se tiver doença crônica, mantenha o acompanhamento médico. Festar com consciência não tira a alegria — só garante que ela dure mais.







