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Alimentar micos em Salvador pode causar riscos à saúde; veja cuidados

Biólogo explica que dar comida a saguis altera hábitos naturais e aumenta riscos para animais e pessoas

Redação ChicoSabeTudo
10 de setembro, 2026 · 07:56 3 min de leitura

É comum encontrar micos e saguis em praças, parques e ruas de algumas regiões de Salvador. Apesar de parecer um gesto inofensivo, oferecer comida a esses animais pode trazer consequências tanto para eles quanto para as pessoas, segundo o biólogo Francisco Kelmo.

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De acordo com o especialista, os saguis podem perder o instinto natural de caça e busca por alimento quando passam a depender da comida oferecida por humanos. "Saguis podem perder o instinto predatório e de forrageio, tornando-se dependentes do alimento fornecido por humanos", explica Kelmo.

O problema aparece quando essa oferta para. Segundo o biólogo, os animais podem passar a agir de forma agressiva e invasiva, chegando a entrar em residências à procura de comida. Além disso, alimentos ultraprocessados podem prejudicar o metabolismo dos micos, favorecendo obesidade, diabetes, colesterol alto e problemas digestivos.

Há também risco de transmissão de doenças humanas para os animais, como o herpes simples, que pode ser fatal para primatas. Kelmo destaca ainda que o excesso de alimento facilita o aumento da população da espécie, o que pode ameaçar espécies nativas e gerar desequilíbrio ecológico. "Alimentar esses animais pode aumentar a população da espécie exótica, que vai se reproduzir mais e ameaçar espécies nativas. Ou seja, o gesto aparentemente inofensivo alimenta um desequilíbrio ecológico que ameaça a biodiversidade local", afirma.

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Os riscos não são só para os animais. Saguis são reservatórios naturais do vírus da raiva, presente na saliva e transmissível por mordida. Segundo o Ministério da Saúde, entre 2010 e 2024 o Brasil registrou 48 casos de raiva humana, sendo seis causados por primatas não humanos. O contato próximo também pode expor pessoas a outras zoonoses, como toxoplasmose, leishmaniose, leptospirose, febre amarela, hepatite, varíola dos macacos e parasitoses.

O biólogo explica que a proximidade genética entre humanos e primatas facilita a troca de vírus nos dois sentidos. "A semelhança genética entre primatas humanos e não humanos permite via dupla de contaminação onde humanos contaminam saguis e vice-versa. Por serem primatas é muito mais fácil haver vírus que infectam ambas as espécies", diz Kelmo.

Animais acostumados à alimentação humana também podem morder ou arranhar ao tentar pegar comida, e um mico acuado pode reagir com agressividade até durante uma tentativa de fotografá-lo.

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A recomendação de Kelmo é manter distância, sem alimentar ou tocar os animais. "A convivência com esses animais deve ser meramente contemplativa, sem aproximação, contato ou fornecimento de alimentos", orienta. Em caso de filhote aparentemente sozinho, o ideal é verificar se há outros saguis por perto, já que os pais costumam monitorar a cria. Também é importante impedir a aproximação de cães e gatos, que podem ferir ou estressar o animal.

Se o mico estiver ferido, doente ou em situação de risco, Kelmo recomenda observar à distância e acionar as autoridades. "Observar à distância e acionar as autoridades competentes", resume o biólogo. Em Salvador, órgãos como Guarda Municipal, Polícia Ambiental, Corpo de Bombeiros ou Ibama podem ser procurados nesses casos.

Levar o animal para casa não é indicado e configura crime ambiental. Segundo Kelmo, saguis criados em ambiente doméstico perdem comportamentos essenciais à vida livre, o que dificulta seu retorno à natureza.

Na Bahia, o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) mantém o Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) em Salvador, localizado na Rua dos Rádioamadores, 105, em Pituaçu. A unidade recebe animais silvestres resgatados ou entregues voluntariamente pela população, e o contato pode ser feito pelo Disque Resgate via WhatsApp.

O Instituto Butantan também alerta que animais silvestres, incluindo saguis, não devem ser alimentados nem tocados, já que o contato próximo representa risco tanto para a saúde dos animais quanto para a das pessoas.

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