A Justiça de Alagoas determinou que o policial civil Gildate Goes Moraes Sobrinho, acusado de matar dois colegas de profissão em Delmiro Gouveia, no Sertão de Alagoas, seja submetido a um exame médico-legal para avaliar suas condições mentais na época do crime. A decisão foi proferida pela 1ª Vara de Delmiro Gouveia após pedido da defesa para instauração de incidente de insanidade mental.
Gildate é acusado das mortes dos policiais civis Yago Gomes Pereira e Denivaldo Jardel Lira Moraes, assassinados a tiros dentro de uma viatura descaracterizada da Polícia Civil, na madrugada de 20 de maio de 2026. O acusado permanece preso preventivamente desde a data do crime.
Com a instauração do incidente de insanidade mental, o andamento da ação penal fica suspenso enquanto é realizada a avaliação pericial. A medida busca esclarecer se Gildate apresentava alguma alteração mental capaz de comprometer sua capacidade de compreender o caráter de seus atos ou de agir de acordo com esse entendimento na ocasião dos homicídios.
O exame será realizado por um médico do Centro Psiquiátrico Judiciário de Alagoas, que terá inicialmente 45 dias para apresentar o laudo, prazo que poderá ser ampliado caso exista justificativa técnica. Após a conclusão, acusação e defesa poderão se manifestar sobre o resultado antes de uma nova análise judicial.
Entre os elementos considerados pela Justiça estão relatos sobre uma mudança repentina no comportamento do acusado após os disparos. Durante o interrogatório, Gildate teria afirmado que não reconhecia ruas da cidade onde morava. Pessoas próximas também relataram que ele aparentava estar confuso e apresentava falas desconexas.
Outro aspecto citado na decisão é que as investigações não encontraram, até o momento, indícios de desavenças anteriores, planejamento ou motivação aparente para o crime. Segundo o inquérito, Gildate e as vítimas haviam participado de uma confraternização horas antes do duplo homicídio.
A defesa sustenta a possibilidade de que o policial tenha sofrido um surto psicótico no momento dos fatos. A própria investigação chegou a levantar a hipótese de alteração comportamental após consumo de bebida alcoólica. A perícia, no entanto, será responsável por determinar tecnicamente qual era a condição mental do acusado na ocasião.
A Justiça ressaltou que a autorização do exame não significa o reconhecimento de que Gildate possuía transtorno mental ou estava em surto psicótico quando os colegas foram mortos. Essa conclusão dependerá do resultado da avaliação especializada.
Mesmo com a suspensão do processo para realização da perícia, a prisão preventiva do policial foi mantida. Após a apresentação do laudo e as manifestações das partes, a Justiça deverá decidir os próximos passos da ação penal.







