A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (10) a Operação Make Up, que investiga o suposto desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares destinadas a organizações da sociedade civil. A apuração envolve entidades relacionadas à produção do filme “Dark Horse”, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Ao todo, estão sendo cumpridos 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. A operação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), e é realizada em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU).
Entre os alvos está o deputado federal Mário Frias (PL-SP), ex-secretário especial de Cultura do governo Bolsonaro e um dos roteiristas e produtores executivos de “Dark Horse”. Também é alvo a produtora Karina Gama, responsável pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB) e ligada à produção do filme.
A investigação apura a destinação de recursos de emendas parlamentares para entidades ligadas à empresária. Em 2025, Frias destinou R$ 2 milhões ao Instituto Conhecer Brasil, divididos entre projetos de letramento digital, empreendedorismo e outras iniciativas. Parte dos projetos entrou na mira das autoridades diante de suspeitas relacionadas à execução e à aplicação dos recursos.
Segundo a Polícia Federal, os investigadores identificaram indícios da atuação de uma organização formada por agentes públicos e privados que teria direcionado valores para empresas subcontratadas de maneira irregular, inclusive em situações nas quais não haveria comprovação da efetiva prestação dos serviços contratados.
Levantamentos financeiros citados pela PF também apontaram uma movimentação de centenas de milhões de reais entre empresas investigadas. As suspeitas envolvem possíveis crimes de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e irregularidades em licitações.
As investigações indicam ainda que as supostas tentativas de ocultação dos desvios teriam ocorrido até julho de 2026. A operação desta quinta-feira é uma das frentes de apuração envolvendo recursos destinados a organizações relacionadas à produção de “Dark Horse”.
Há ainda outro inquérito no STF que investiga repasses relacionados ao financiamento do filme, sob relatoria do ministro André Mendonça. Essa apuração envolve separadamente recursos do Banco Master e contatos relacionados à captação de dinheiro para a produção cinematográfica.
Até a atualização das informações divulgadas nesta manhã, a defesa de Mário Frias não havia sido localizada por alguns dos veículos que acompanharam a operação. Karina Gama afirmou anteriormente que a aplicação dos recursos públicos ocorreu de forma regular. As investigações seguem em andamento e, até o momento, não representam condenação dos envolvidos.







