A Prefeitura de Delmiro Gouveia, no sertão de Alagoas, deu um novo passo no combate ao mosquito Aedes aegypti. O Setor de Endemias passou a utilizar bombas costais motorizadas em ações de bloqueio de transmissão que percorrem bairros do município, visando conter a propagação da dengue, zika e chikungunya.
O equipamento funciona como um pulverizador portátil e direcionado, capaz de aplicar inseticida de forma rápida em áreas mapeadas pela vigilância em saúde como pontos de maior risco ou registro de focos do mosquito. A técnica é conhecida como nebulização UBV — Ultra Baixo Volume — e vem sendo adotada por municípios de todo o Nordeste como reforço às ações rotineiras dos agentes de campo.
O coordenador do Setor de Endemias, Anderson Silva, classificou o uso da bomba costal motorizada como "um reforço técnico fundamental" para conter a proliferação do vetor nas regiões identificadas pela vigilância. Mas fez questão de deixar claro que a ferramenta tem limite.
"Essa é mais uma ferramenta importante que somamos ao combate ao mosquito no nosso município. Porém, para que o bloqueio seja realmente eficaz, precisamos do apoio indispensável da população. A principal medida continua sendo evitar o acúmulo de água parada em quintais e residências", alertou Silva, segundo informações divulgadas pelo portal Sertão 142.
O recado do coordenador bate com o que dizem especialistas e autoridades sanitárias em todo o país. O Ministério da Saúde estima que cerca de 75% dos focos do Aedes aegypti estão dentro das próprias residências — em pneus velhos, pratos de vasos, caixas d'água sem tampa, calhas entupidas e outros recipientes que acumulam água sem que os moradores percebam.
As equipes de endemias de Delmiro Gouveia também orientam a comunidade sobre a importância de manter caixas d'água vedadas, calhas limpas e pratos de plantas sem acúmulo de líquidos, segundo informações da assessoria do município. O trabalho segue um cronograma permanente de ações preventivas.
Não é a primeira vez que Delmiro Gouveia aposta em tecnologia para ampliar o alcance do combate ao mosquito. Em 2025, o município já havia adotado o uso de drones para identificar focos de água parada em áreas de difícil acesso, como terrenos baldios e casas abandonadas — estratégia que permitia uma visão aérea que os agentes não conseguiriam do solo.
O contexto sanitário reforça a urgência das ações. Alagoas encerrou 2025 com quase 8 mil casos prováveis de dengue registrados, segundo o Painel de Monitoramento das Arboviroses do Ministério da Saúde — número que, apesar de representar queda em relação ao pico de 2024, mantém o estado em alerta.
A orientação das autoridades de saúde é que a população reserve alguns minutos por semana para vistoriar a própria casa em busca de possíveis criadouros. Qualquer recipiente que acumule água — mesmo em pequena quantidade — pode se tornar um ponto de reprodução do mosquito.







